Casal Schumann é tema de recital

O pianista Miguel Proença e o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo fazem nesta terça-feira a terceira apresentação da série Cartas de Amor, do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Criada pela pianista Lilian Barreto, a programação tem como proposta apresentar ao público a história de casais célebres da história da música, com leitura de cartas (pelos atores Raul Serrador e Clara Carvalho) e interpretação de obras do compositor citado. Desta vez, o tema dos recitais é a relação entre Robert Schumann e sua mulher Clara. Proença vai interpretar a Phantasiestuck do compositor e, na seqüência, se unir ao Quarteto de Cordas para a execução do Quarteto.O casamento de Schumann com Clara é um dos assuntos prediletos de autores e biógrafos do Romantismo. Por muito tempo, foram o casal do século 19. Ela, grande pianista, é considerada uma das grandes responsáveis pela divulgação da obra de autores como Brahms ou mesmo de seu marido. Ele, um autor em franca ascensão no cenário internacional.Os dois se conheceram em 1829 - ele com 19, ela com 10 anos de idade. Schumann mudara-se para Leipzig para estudar com o pai de Clara e pediu sua mão em casamento. Recebeu um não como resposta, o pai tinha outros planos para a filha: entre eles, torná-la a maior estrela do piano em todo o mundo. Esperaram e, quando ela atingiu a maioridade, casaram-se. Dias depois, Schumann já processava o sogro por difamação: ele o acusava de beber demais.Viveram juntos durante 16 anos e deixaram uma correspondência ampla - no início, cartas que eram escritas na impossibilidade de estarem juntos, depois, basicamente notícias das turnês que ela empreendia pelo mundo, numa busca incessante por dinheiro que pudesse ser usado no sustento de Schumann e dos sete filhos do casal.Não demorou muito para, à medida que o tempo passava, pesquisadores começassem a perceber que o clima de romance deu lugar a fortes crises no relacionamento. Supostos casos de Schumann enquanto sua mulher saía em turnê para sustentar a família, entre outros pontos, teriam despertado um profundo descontentamento de Clara com a própria vida. A musicóloga Eva Weissweillwer, por exemplo, afirma que Clara se tornou uma mulher ciumenta e tirana. É uma das muitas versões. O mais recente livro sobre o assunto, Clara, acaba de ser lançado por Jannice Galloway, na Inglaterra. Trata-se de uma biografia que a acompanha desde as primeiras lições de piano até o fim de sua vida, defendendo a tese de que tudo pelo que passou fez de Clara uma das mais importantes mulheres do século 19.Serviço - Cartas de Amor. Terça, às 13 horas e às 19h30. R$ 6,00. Centro Cultural Banco do Brasil, Rua Álvares Penteado, 112, tel.: 3113-3651

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