Casal cego do Mali se apresentará no TIM Festival

A ausência de um dos cinco sentidos étraduzida em canções sensíveis, delicadas e tocantes. A marca nochão do palco, para a qual o produtor conduz o casal de músicosantes de começar o show, limitaria aparentemente qualquerperformance mais expressiva. No entanto, Amadou e Mariampreenchem e transbordam, a um só tempo, música e energiavibrantes por todos os cantos do palco. Eles ensinam que menostambém pode ser mais. Pais de três filhos, casados desde 1980 e cegos. O duodo Mali, pequeno país do oeste africano, foi formado há 28 anos.Amadou Bagayoko e Mariam Doumbia conheceram-se em 1977 noInstituto para Cegos de Bamako, capital localizada na regiãosudoeste do Mali. Lá estudaram braille e se apresentaram juntospela primeira vez como Orquestra Eclipse. As afinidadestornaram-se evidentes e foram muito além da música: o ano de1980 não foi só marcado pelo casamento em si, como também pelomomento em que deram o pontapé inicial à carreira profissionalde sucesso que trilham até hoje. Os brasileiros tiveram a honra de ouvi-los pela primeiravez em janeiro de 2001, no Rock in Rio. Eles voltaram em agostodo mesmo ano e estiveram em São Paulo, Porto Alegre e Rionovamente. Para quem não apostou naqueles shows, um alerta:poderão se arrepender amargamente caso não reservemantecipadamente seus ingressos para dois shows que farão, napróxima sexta-feira, no Rio, e no domingo, em Vitória, dentro daprogramação do TIM Festival. Infelizmente, Amadou & Mariamengrossam o coro dos artistas que não darão o prazer de um ótimoshow para os paulistanos - Beastie Boys, Patti Smith e DJ Shadow entre outros, também não se apresentarão por aqui. A guitarra poderosa de Amadou e o vocal vigoroso deMariam, impressos nos álbuns lançados entre 1998 e 2002 (Sou NiTilé, Ge ni Mousso e Wati), chamaram a atenção de umpersonagem ilustre da cena latina, Manu Chao. O compositor evocalista francês ficou particularmente encantado com a cançãoJe t?Aime Mon Amour, Ma Chérie, da compilação de 1998 Sou NiTilé. "O que me impressionou foi a justaposição do blues-rockafricano com a esmagadora suavidade que eles projetam", afirmouManu Chao na biografia do casal. Amadou e Mariam vêm ao Brasil acompanhados por músicosmalineses e franceses, que também fazem as vezes de backingvocals e cantam refrões compostos por Amadou nas duas línguasoficiais do Mali, bambará e francês. As letras "se dirigem àsociedade, desejo trazer a paz" conta o humilde Amadou. É comessa arma que Amadou pretende entrar na guerra contra a pobrezanos países do continente africano - e não com uma ajudamilionária como, por exemplo, a pequena fortuna (sempre queconcedida, anunciada) que vem do líder do U2, Bono Vox. "Bono?Não conheço, não sei de quem você está falando", ignora. "Nãocritico e não elogio, apenas sigo outro caminho."

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