Philippe Wojazer/AFP
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Casa de Serge Gainsbourg será aberta nos 30 anos de sua morte

Compositor será também homenageado com livros, documentários e novas edições de álbuns

Philippe Grelard, AFP

02 de março de 2021 | 05h00

Trinta anos depois da morte de Serge Gainsbourg, sua filha Charlotte rompe com sua discrição habitual e fala sobre o eterno ícone da música francesa, rei da provocação, que não teria encontrado seu lugar neste “mundo tão censurado”.

“Durante muito tempo, evitei dar entrevistas sobre ele, marcar sua morte, era um aniversário doloroso. Precisei de 30 anos para dar esse passo”, explica a atriz e cantora, filha de Gainsbourg e de Jane Birkin.

A França volta a homenagear o grande legado do compositor, com documentários, livros e novas edições de álbuns, enquanto sua filha planeja abrir em breve para o público a casa parisiense onde seu pai morreu em 2 de março de 1991, aos 62 anos, vítima de uma parada cardíaca. Ela tinha apenas 19. Charlotte, que prepara o lançamento de um novo álbum, admite que a figura de seu pai deixou “o padrão muito, muito alto”.

Em qual fase está o projeto de abrir a casa onde Serge morava?

Está em andamento. Durante os primeiros 10 anos, quando eu era a que estava mais convencida, foi muito complicado. Depois, voltei atrás porque era o que me restava dele. Guardava como um tesouro. Mas, quando fui a Nova York há seis anos, compreendi que deveria fazer isso. Pelas pessoas, mas também pela minha saúde mental, deveria me distanciar.

Os jovens artistas continuam se inspirando nele tanto no seu lado artístico quanto no humano.

Acho incrível, agora que estou percebendo. Antes, estava imersa em minha tristeza. Vejo o impacto que ele teve em tantas gerações e que não acaba. Ele tinha tantas facetas... manifestava seu lado sombrio, não havia um lado secreto. Era uma pessoa de grande delicadeza, que contradiz o personagem de Gainsbarre do final (o alter ego que inventou, mais identificado com os excessos). Hoje, vivemos em um mundo tão censurado que me pergunto como ele teria vivido. Seria proibido de aparecer na TV? Ele fazia coexistir sua grande sensibilidade com seu senso de provocação. Isso não se vê mais hoje em dia.

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