Carta inédita indica fetiche de Wagner por roupas femininas

Uma carta inédita enviada por Richard Wagner a uma empresa de moda de Milão aponta para um possível fetiche do compositor com as roupas femininas. No documento, divulgado na publicação The Wagner Journal, o músico dá detalhes sobre um vestido que ele gostaria que fosse confeccionado, e que supostamente era para sua esposa, Cosima. Segundo Barry Millington, co-diretor do Wagner Journal, citado nesta quinta-feira, 1, pelo jornal The Guardian, a carta, que data de janeiro de 1874 e é guardada em uma coleção privada nos Estados Unidos, "alimenta a teoria de que o compositor mostrava certas tendências a se travestir". Pelo menos, indica um interesse muito detalhado nas minúcias da roupa feminina, assinala Millington, segundo o qual o compositor de Tannhäuser tinha "um lado feminino muito pronunciado". "Por exemplo, sua necessidade de vestir roupa íntima de seda e cetim, evidentemente porque sofria de erisipela", afirma o especialista. Mais revelações Em outra carta ao costureiro, datada de novembro de 1869, Wagner encomenda "um paletó de cetim negro que possa ser usado tanto na rua, com ou sem ´cazavoika´, como em casa, em combinação". Wagner define a "cazavoika" como um vestido de mulher consistente em uma parte superior ajustada e uma saia aberta a partir da cintura, deixando expostas anáguas com muitos enfeites. Existe a suspeita de que, como escreve Stesard Spencer no "Wagner Journal", o compositor tenha feito as encomendas para si. Em 1877, cinco anos antes da morte do músico, houve um escândalo quando um jornalista publicou detalhes de roupas íntimas que Wagner havia encomendado a outra costureira. Os especialistas na obra de Wagner têm analisado ultimamente seu particular erotismo. Joachim Köchler, autor de "Richard Wagner: o último dos titãs", faz, segundo Spencer, o retrato de um compositor que "precisava de uma aura de feminilidade para estimular os sentidos".

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