Carneiro rende-se ao universo de Cohen

O poeta e jornalista Rodrigo Carneiro, repórter do Estado, rende-se a uma de suas preferências invulgares. Hoje e amanhã, ele interpreta sonetos e canções do compositor canadense Leonard Cohen. As apresentações integram o projeto Uma Noite de Popstar, que começou no dia 6 com o show do conjunto Música Ligeira tocando The Beatles, no Sesc Consolação. Ele estará acompanhado dos músicos Marcelo Galiarde (violão e percussão) e Flávio Telles (violão).Carneiro deve fazer interpretação perpíscua sobre o legado de Cohen. Quando o conheceu, foi acometido de intensa paixão pela "esquisitice" do canadense. Hoje, ao rever no palco os seus poemas, a sua redenção mistura-se com tormento. "Tive algumas crises de pânico, pois são canções que ouço desde sempre", revela. "As suas estruturas musicais são aparentemente simples. Mas é um paradoxo, pois as construções poéticas não são. A música está à merce da palavra. É uma leitura desafiante. Cohen versa sobre temas graves: religiosidade em tempos de perdição, amor incondicional versus desejos profanos, nomadismo e morte."Esse universo que, muitas vezes tem um erro de avaliação sendo apenas dito depressivo, é de domínio de Carneiro desde os anos 80. Na ocasião, era punk, mas por ser cria do underground tinha um olhar atento para outras estéticas. Uma prova disso é que, mesmo sendo band leader do Mickey Junkies - importante grupo na cena do rock alternativo -, ele já mantinha projetos paralelos, como o grupo Between Sky and Flowers, ligado a uma outra ponta do pop internacional. O Mickey acabou em 1997 e o Between Sky and Flowers prossegue até hoje. A sua sonoridade passeia pelos mundos Cohen, Richie Havens e Nick Cave and Bad Seeds. Além do Between, Carneiro é um dos componentes do Shiva Las Vegas, banda eletrônica de vanguarda que lançou CD em 1999.Cohen chegou aos ouvidos de Carneiro por meio de Nick Cave, que no seu disco de estréia, From Her to Eternity (1984), prestava uma homenagem ao canadense: a regravação Avalanche. "Corria o ano de 87 e a curiosidade em saber mais sobre a versão original e seu criador me levou a um dos discos mais assustadores da música pop, Songs of Love and Hate. Caminho sem volta. Cohen o gravara em 1971, depois do belíssimo disco, Songs of Leonard Cohen (1968), e publicações de premiados livros de prosa e poesia, como Let Us Compare Mythologies e The Favourite Game and Beautiful Losers. Outros discos se seguiram confirmando a intersecção perfeita de melodia aparentemente simples e texto inspirado." Para os shows, Carneiro preparou um roteiro com canções, poemas e histórias sobre Cohen.

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