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Carlos Santana quer ser lembrado como ‘um músico e uma pessoa inspiradora’

'Embora meu corpo tenha 66 anos, quando começo a tocar e emerge o amor, tenho 14'

Javier Herrero , EFE

06 de março de 2014 | 15h59

Com seu novo álbum, Corazón, Carlos Santana voltou a sentir a mesma vibração que teve em Supernatural. Aos 66 anos, ele se mostra pleno de energia e não pensa em se aposentar, menos ainda em um outro fim, embora, diz ele, depois da morte recente de Paco de Lucía convém refletir sobre o que resta de uma pessoa depois da morte.

“Gostaria que, ao falarem sobre mim, as pessoas dissessem que ‘ele era um músico e uma pessoa inspiradora que nos fazia lembrar que também somos um raio de luz que não se pode apagar”, disse Santana, de passagem por Madri, uma semana depois da morte do célebre guitarrista de flamengo, que, segundo ele, é um talento imortal, como Jimmy Hendrix, Django Reinhardt, Bob Marley ou Michael Jackson.

Considerado um dos melhores guitarristas do mundo, com uma carreira de quase meio século, o músico responde, ironizando: “estou apenas começando”.

“Embora meu corpo tenha 66 anos, quando começo a tocar e emerge o amor, tenho 14”, diz ele, para quem “o espírito e a alma não têm idade e nem a reconhecem” e que, com o seu 23º álbum a ser lançado em seis de maio, retorna com ímpeto renovado.

“Ao produzir este disco tive uma vibração similar a quando fiz Supernatural (1999). Desde o início senti uma intensa frequência e creio que será uma onda universal que chegará a todos”, garante o músico, lembrando um dos seus álbuns mais célebres, vencedor de nove Grammys.

Como o anterior, Corazón (RCA/Sony Latin Iberia) está repleto de colaboradores importantes, embora neste caso compartilhem sua origem latina, com representantes de muitas partes do mundo onde a música é sentida com o coração.

“A mente tem muitas dúvidas, mas o coração abraça o fogo, porque é a casa da luz”, diz Santana, comentando o título do álbum. O projeto, que foi ideia do seu empresário, começou com a busca de canções e, a partir daí, veio a busca daqueles intérpretes “que melhor se sintonizassem com elas”.

“Para mim, essas pessoas são uma inspiração. São puro entusiasmo, têm brilho nos olhos, paixão e fome de amor”, diz ele destacando as contribuições da mexicana Lila Down, do jamaicano Ziggy Marley e dos argentinos Los Fabulosos Cadillacs (Mal Bicho) e Diego Torres (Amor Correspondido).

Ele destaca a colaboração com o colombiano Juanes numa nova versão de La Flaca, de Jarabe de Palo, à qual conferiram o espírito do blues de John Lee Hooker. “É mais que uma canção, é um encanto divino e despojado”, afirmou.

Uma outra presença importante é a de Gloria Estefan, que ele conhece desde 1985. “Temos um respeito mútuo muito grande. Trabalhar com ela é fácil porque não estamos ali para competir, mas para nos complementar.”

Estão também no álbum Pitbull, Romeo Santos e Miguel, que pertencem à segunda geração de hispânicos nos Estados Unidos e representam, segundo ele, “a voz do momento”. “Gosto de fazer música que chegue aos avós, pais, mães, jovens e criancinhas”, diz o músico, que destacou também o tema Yo Soy la Luz, em que colaboraram Wayne Shorter e sua mulher Cindy Blackman na bateria.

A representação espanhola ficou por conta de La Niña Pastori, com um tributo ao flamengo como desejava Santana, que não descarta produzir no futuro um disco no estilo do Sketches of Spain, de Miles Davis.

“Gostaria de fazer mais coisas no futuro, fico encantando com a paixão, o fogo e o sangue dos ciganos”, diz o mexicano que pretende fazer uma turnê na Espanha em 2015 e apresentar música flamenga no seu espetáculo para que ela o abençoe com sua magia”. TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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