Carlos Navas presta tributo a Chico Buarque

Cantor faz dois shows gratuitos no Memorial da América Latina em homenagem aos 70 anos de um dos maiores compositores do País

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2014 | 18h48

O cantor paulistano Carlos Navas chega à maioridade artística prestando tributo ao compositor Chico Buarque, que completa 70 anos no dia 19. Navas, que comemora 18 anos de palco, faz dois shows gratuitos na Praça Cívica do Memorial da América Latina, ambos com composições de Chico: o primeiro, Todo Sentimento, neste sábado, às 16 horas, reúne 11 das mais sofisticadas canções do autor, feitas em parceria com Tom Jobim e Francis Hime, entre outros. O segundo show, Canções de Faz de Conta, no dia 21, às 15 horas, tem igualmente 11 canções, mas dirigidas ao público infantil. São clássicos de musicais como Os Saltimbancos e programas como Sítio do Pica-pau Amarelo.

Foi justamente com Os Saltimbancos que começou a relação de Navas com o universo musical de Chico Buarque. O cantor tinha oito anos quando sua mãe o levou para ver, em 1977, o musical de Luiz Bacalov e Sergio Bardotti com versão em português e canções adicionais de Chico. Encantado com a adaptação do conto dos irmãos Grimm (Os Músicos de Bremen), o pequeno Navas ouviu repetidas vezes História de uma Gata, que agora canta no segundo show ao lado de Minha Canção e O Jumento, duas outras músicas do espetáculo infantil, que vai ter a participação do percussionista Humberto Zigler.

História de uma Gata também está no repertório do primeiro show, que tem outros títulos menos lembrados em tributos a Chico, como As Vitrines. "Ouvindo os discos dos anos 1970 e 1980, para mim os melhores dele, separei 43 canções com as quais mais me identificava para chegar ao repertório do show." Algumas são francamente intimistas, como Retrato em Branco e Preto e Eu Te Amo (parcerias com Tom Jobim), ou fazem referência à condição servil do artista na sociedade de espetáculo, como Beatriz. "Ela me toca de modo particular, pois é um reflexo do que significa ser artista num mundo em que somos todos menestréis."

Navas, porém, foi além do entretenimento nos nove discos que gravou desde o começo de carreira. O último, Nazareth Revisitado, em homenagem a Ernesto Nazareth, foi registrado no ano passado com uma das melhores vozes do país, a cantora Alaíde Costa, ambos acompanhados ao piano pelo músico erudito João Carlos Assis Brasil. Dois outros grande compositores foram celebrados por Navas em CDs, os cariocas Mário Reis (1907-1981), em Quando o Samba Acabou (2007), e Custódio Mesquita (1910-1945), em Junte Tudo o Que é Seu (2011). Os nomes desses autores traduzem o gosto refinado de Navas, capaz de traçar um roteiro sentimental e ao mesmo tempo intelectual da carreira de Chico Buarque num show como Todo Sentimento, ao lado do pianista paulistano Daniel Grajew.

"Gostei do formato e pensei até em gravar um disco só com músicas do Chico, acompanhado ao piano", revela. Já no primeiro CD que gravou, em 1997, Pouco para Mim, Navas incluiu Beatriz, parceria de Chico com Edu Lobo para o balé O Grande Circo Místico (1983), musical baseado no poema homônimo do modernista Jorge de Lima (do livro A Túnica Inconsútil) sobre o romance entre um aristocrata e uma acrobata de circo.

"Lembro que fiquei impressionado quando vi o espetáculo e me atrevi a cantar." O verbo atrever não se aplica no caso de Navas, mesmo que a primeira gravação de Beatriz seja a de Milton Nascimento, fronteira para qualquer cantor no Brasil.

CARLOS NAVAS

Memorial da América Latina. Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664. Hoje, 16h, 'Todo Sentimento'. Dia 21, 15h, 'Canções de Faz de Conta'. Grátis

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