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Carlinhos Vergueiro apresenta novas músicas em show na próxima quinta

São dez temas que reaproximam Carlinhos de J. Petrolino, um de seus parceiros mais antigos

Emanuel Bomfim,

03 de novembro de 2012 | 07h00

Antes, era a terra batida e a grama rasa. Hoje, o forro é de borracha e a grama é sintética. Carlinhos Vergueiro teme pelo joelho castigado, mas não dispensa a pelada três vezes por semana, seja qual for o tapete esverdeado em questão. É de lá que nutre a paixão pelo futebol e vê o tempo castigar a mocidade. "Nas minhas lembranças mais remotas, desde que eu era garoto, eu me recordo de estar tocando piano e jogando bola. O futebol trouxe muitos amigos e permitiu criar inúmeras parcerias por causa dele", diz o compositor, não à toa o "garçom" do time do Chico Buarque, o Polytheama.

A mesma categoria com que trata a bola e serve aos companheiros de cancha deu ao cantor mais um gol embalado por fortes emoções: Vida Sonhada. Um disco de inéditas que não tem medo de lidar com temas essenciais: o tempo, a vida e o amor. "Eu sou um sonhador e continuo correndo atrás dos meus sonhos. Acho que isso é fundamental para que a gente viva e se sinta até mais moço", dá a receita o músico paulista, hoje morador do Rio e com 60 anos recém completados.

Na próxima quinta ele estará em São Paulo para apresentar as novas músicas no Tom Jazz. São dez temas que reaproximam Carlinhos de J. Petrolino, um de seus parceiros mais antigos. Assinam juntos metade do repertório, naturalmente direcionado ao samba e com produção de Aluízio Falcão, conhecido pelo trabalho que fez nos selos Marcus Pereira e Eldorado. A outra metade é formada por composições próprias e duas feitas ao lado de sua filha, a cantora Dora Vergueiro. "Eu sou fã dela, descobri que tem esse dom de letrar. O Chico e o Paulo César Pinheiro também fazem muito bem", compara o paizão coruja. "Eu sofro muito mais com a carreira dela do que com a minha", brinca.

Antes de entrar em estúdio para registrar as novas canções, Carlinhos Vergueiro estava distante dos próprios versos. Vinha de celebradas homenagens aos sambistas Adoniran Barbosa e Nelson Cavaquinho, ícones com quem pode conviver ao longo de sua trajetória, em especial com João Rubinato - nome de batismo de Adoniran. Torresmo à Milanesa e Minha Nega são fruto desta amizade.

Carlinhos recorre ao falecido amigo quando perguntado sobre as diferenças entre a produção paulista e a carioca. "O Adoniran fala a mesma coisa que eu defendo: ‘samba é samba’. Só isso", lembra o músico.

Além de Adoniran e Nelson, Carlinhos se orgulha de ter trabalhado com outros de seus ídolos, como Cartola e, em especial, Vinícius de Moraes, que será largamente homenageado no ano que vem, quando se comemora os cem anos de nascimento do poeta. "O Vinícius fez duas coisas que são admiráveis. Primeiro, ele mudou a maneira de se fazer letra. Deixou mais fácil, como se fosse uma conversa. Depois, ao se expor, ao cantar para grandes plateias, ele chamou a atenção não só para a poesia dele, como para de outros poetas. Acho isso muito importante", elogia o músico, projetado em 1975 no festival Abertura, da TV Globo, com a música Como Um Ladrão. Sua estreia foi no ano anterior, com o LP Brecha. Desde então, gravou mais de dez álbuns e estreitou relações com outros bambas, como Toquinho, Paulinho da Viola e Paulo Vanzolini.

Primeira pessoa do singular realmente não combina com ele. Quando fala, sempre recorre aos amigos, ao coletivo, como no futebol. Na quinta, quando estiver no palco, será desfalque no Polytheama, mas titular de tabelas tão engenhosas como a do surrado sintético fluminense.

CARLINHOS VERGUEIRO

Tom Jazz. Av. Angélica, 2.331, tel. 3255-0084. 5ª, às 22 h. R$ 60.

 
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