Carla Cook, uma nova voz no jazz

Canta amanhã no reduto do jazz emSão Paulo, o Bourbon Street, em Moema, uma das mais promissorasvozes novas da música negra americana, a cantora Carla Cook, deDetroit, Estados Unidos. Oriunda da Meca do R&B e da músicagospel dos Estados Unidos, ela já cantou acompanhando aorquestra de Lionel Hampton e tem um "acento" Motown em suainterpretação.Como já se tornou hábito no Bourbon, Carla Cook chega ejá vai ao encontro das causas sociais brasileiras - assim como ofizeram seus conterrâneos Diane Reeves e T.S. Monk. Naquinta-feira, às 15 horas, ela fará uma oficina com o grupovocal dos Meninos do Morumbi, com patrocínio do consuladoamericano."Quanto mais vozes femininas (no cenário do jazzamericano), melhor", disse Carla, em entrevista por telefone,de Nova York, onde vive atualmente. "Mais escolhas possíveispara todo mundo, mais diversidade", completa. As escolhasartísticas de Carla situam-se de maneira diferente dasfronteiras pop de Cassandra Wilson e Diana Krall. Ela está maissituada ao centro, no mainstream."Como cantora, Sarah Vaughan foi minha maiorinfluência", conta. "Mas também fui influenciada por outrosmúsicos, como Miles Davis e seu senso de improvisação." Outromúsico que ela cita como fundamental - e para toda a história dojazz - é Louis Armstrong."Vi o documentário de Ken Burns sobre a história dojazz e acho que ele é incompleto, muitos músicos importantesficaram de fora, mas ele assinala com precisão o papel de LouisArmstrong", ela disse. "Ele possibilitou, com a introdução deelementos - sua improvisação, sua síncope - a criação de novosestilos, novos tipos de jazz."A cantora é praticamente desconhecida no Brasil, mas jácomeça a despertar a curiosidade da crítica e do público no seuPaís. Com o disco It´s All about Love (Maxx Jazz Records,1999), chegou a receber uma indicação para o Grammy, como melhorcantora de jazz. Nesse disco, ela toca acompanhada pelo prodígiodo piano, Cyrus Chestnut, e pela violinista Regina Carter, alémde uma banda all stars.Em It´s All about Love, Carla Cook mostra que suadeclarada ligação com a música brasileira ("Eu amo o Brasil",conta a cantora, que nunca esteve aqui) não é só da boca parafora. Ela gravou nesse disco Canção do Sal, de MiltonNascimento.O disco mais recente de Carla Cook é Simply Natural(Maxx Jazz Records, 2002), no qual ela canta standards, comoTulip or Turnip e Something Bout Believing, de DukeEllington, e também Strong Man, de Oscar Brown Jr., e AreYou with Me, de Levin e Robinson. Esperta, ela se fazacompanhar de novo pelo gênio Cyrus Chestnut."Seus dons interpretativos e os vigorosos scat sãoevidentes em todo o disco, com a cantora fazendo sua infusão comuma potente mistura de emoção e energia", escreveu Mike Joyce,do The Washington Post, sobre um dos seus discos. Ascredenciais são das melhores.Carla Cook. Quarta e amanhã, às 22h30. Couv. art. de R$ 65,00 a R$ 120,00. Bourbon Street Music Club. Rua dos Chanés, 127, tel. (11) 5561-1643. Patrocínio: Diners ClubInternational.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.