Cantoras mostram estilos diferentes no Visa

O Sesc Vila Mariana foi palco da 2ª semifinal do Prêmio Visa de Música Brasileira - Edição Vocal. Márcia Lopes, Luciana Alves e Cris Aflalo se apresentaram ontem, numa noite de boa música, bom repertório e interpretações destoantes. A cantora paulista Márcia Lopes abriu a noite com seu jeito discreto, com uma canção de Cazuza e Roberto Frejat, Blues da Piedade, originalmente um rock com levada blues que, nos arranjos de Fábio Tagliaferri, ficou mais desacelerado. Emendou com Xote de Navegação, de Dominguinhos e Chico Buarque, e Noite de Paz, de Dolores Duran (esta última apenas com cello e violino), ambas com arranjos refinados e levadas bem lentas. No final, acelerou o ritmo com Gatas Extraordinárias, de Caetano Veloso. A também paulista Cris Aflalo veio na seqüência e teve uma recepção entusiasmada da platéia logo de cara. Ela abriu a segunda parte do programa com o baião Ainda me Lembro, de Xerêm e Pedro Sertanejo. Manteve a cantoria alegre no clássico O Canto da Ema, de Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale. Incluiu uma canção de própria autoria, Matutu, levada apenas na voz e violão, demonstrando a evidente influência do avô e boa mão para compor. Fechou sua apresentação com um samba-choro bem-humorado, No Automóvel não e encerrou seu show ovacionada pelo público, entre arroubos de animação e palmas. Luciana Alves mostrou técnica e explorou sua voz, mas apresentou uma indesejável irritação na garganta e mudou uma música do repertório previsto para sua apresentação. Substituiu Festa da Vinda, de Cartola e Nuno Veloso, pelo samba Cadê a Razão, de Paulinho da Viola. Febril, de Gilberto Gil, abriu seu show conduzido por uma levada meio bossa nova. Apresentou Nada não, de Chico Pinheiro e Guile Wisnik (que Luciana gravou no CD de Chico) e revisitou Maracatu Nação do Amor, de Moacir Santos e Nei Lopes, que ela já havia incluído no repertório da fase eliminatória do prêmio, numa irrepreensível interpretação. Mais uma vez, após a apresentação das semifinalistas, o corpo de jurados, formado por Nelson Ayres, Arrigo Barnabé, Jane Duboc, Lutero Rodrigues, Roberto Sion, Zélia Duncan e Mônica Salmaso, conversaram sobre as candidatas da noite a portas fechadas. Enquanto isso, o violonista gaúcho Yamandú Costa fez uma apresentação instrumental, acompanhado dos excelentes músicos Thiago do Espírito Santo (baixo) e Edu Ribeiro (bateria). Vencedor do 4º Prêmio Visa de Música Brasileira - Edição Instrumentista, Yamandú, que já na época do prêmio esbanjava virtuosismo ao violão, demonstrou que está ainda mais afiado. Combinando técnica e emoção, deixou o público presente boquiaberto executando O Bem e o Mal, de Danilo Caymmi e Dudu Falcão, Vou Deitar e Rolar, de Baden Powell, Chamamé e Besteira, de sua autoria, entre outras. No próximo domingo, a 3ª semifinal do prêmio trará os cantores Rubi, Ana Luiza e Consuelo de Paula, além da participação especial de Renato Braz. No dia 25, será a vez do grupo Nós Quatro e das cantoras Yara Mello e Daisy Cordeiro, com direito a shows de Mônica Salmaso e André Mehmari. Os convites para as duas próximas semifinais já estão esgotados. A final ocorre em 19 de outubro.

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