Cantoras brasileiras que fazem carreira no mundo

Há uma legião de cantoras e instrumentistas brasileiras que repercutem lá fora, até mais do que aqui. Sete delas estarão no projeto Mulheres do Brazil, do Sesc Pompéia, entre 9 e 13 de março, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8. A maior expectativa é em torno da pianista, cantora e compositora Tania Maria, que há mais de 20 anos não se apresenta no Brasil. Ela é a única a fazer dois shows no projeto, nos dias 11 e 13. Nos demais, dividirão o palco Joyce e Leny Andrade (dia 9), outras duas feras ligadas ao jazz-samba; as cantoras Elza Soares e Fernanda Porto (dia 10); a violonista Badi Assad e a pianista Paula Faour (dia 12). Paula - que acaba de lançar o CD de estréia Cool Bossa Struttin´, e fará o primeiro show em São Paulo no Sesc - é o mais novo fenômeno nacional nessa área e foi incensada pela crítica no Hemisfério Norte. Para serem selecionadas para o projeto, antes de tudo, as cantoras e instrumentistas em questão passaram pelo crivo de merecer respeito no exterior. "Desde 2003 queríamos fazer esse projeto e a princípio seriam duas semanas. Uma com as brasileiras que moram fora do País e outra com as que vivem aqui, mas são conhecidas e respeitadas lá fora", conta Gisela Ferrari, coordenadora do núcleo de música e artes cênicas do Sesc Pompéia. A dificuldade de comunicação e problemas de agendas de cada uma tornaram a realização do projeto bastante complicada, mas o elenco é representativo e de qualidade acima de suspeitas. Paula FaourCool Bossa Struttin´, o soberbo álbum de estréia-solo da pianista carioca Paula Faour, não deixa dúvida: há sangue novo fervilhando nas veias da velha e surrada bossa. A despeito do que ocorre com outras pianistas em evidência no ramo do jazz-pop, como Diana Krall e Norah Jones, Paula resiste à tentação de cantar. Deve fazê-lo no show em apenas uma das músicas. "É engraçado, toda vez que alguém vê uma musicista acha logo que é cantora. Sempre fui muito acanhada para isso. Admito que o canto tem uma ligação diferente com o público, a palavra é muito importante na nossa vida, mas minha onda é tocar", avisa ela. Tania MariaFaz 30 anos que a pianista, cantora e compositora maranhense Tania Maria trocou o Rio por Paris impulsionada pela pressão da ditadura militar e por questões econômicas. De lá foi para os Estados Unidos e acabou unindo as duas Américas em seu estilo que mescla o balanço jazzístico com o sotaque nordestino do baião, além do samba, claro. Há mais de 20 anos ela não se apresenta aqui, o que faz de sua participação no projeto Mulheres do Brazil, em março, um acontecimento. Representa uma espécie de acerto de contas com o show biz nacional. O status internacional e esse tempo de ausência conferem a Tania uma aura mitológica, ao mesmo tempo que embutem um certo ressentimento por não ser reconhecida na própria terra como deveria e como é no exterior. Vale lembrar que não há sequer um de seus 16 álbuns em catálogo no País.Mulheres do Brazil - Joyce e Leny Andrade - dia 9 de março, 21 horas. Elza Soares e Fernanda Porto - dia 10, 21 horas. Tânia Maria - dia 11 de março, 21 horas, e dia 13, 18 horas. Badi Assad e Paula Faour - dia 12, 21 horas. Teatro do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, Pompéia, tel. 3871-7700. Ingressos: de R$ 8 a R$ 20 (dias 9 e 12) e de R$ 10 a R$ 25 (dias 10, 11 e 13)

Agencia Estado,

22 de fevereiro de 2005 | 19h47

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