Yann Ohran/Divulgação
Yann Ohran/Divulgação

Cantora Zaz prepara show gratuito no Ibirapuera

Em turnê pelo Brasil, artista francesa cantará músicas sobre Paris

João Fernando, O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 03h00

Apesar de ser francesa, a cantora Zaz compartilha o fascínio que os mortais mundo afora têm por Paris. Encantada pela capital de seu país, para onde se mudou ao sair de Bordeaux, artista gravou um CD dedicado à Cidade Luz e vem ao Brasil para uma turnê do disco. As apresentações no Bourbon Street nos dias 24 e 25 de março estão com ingressos esgotados, porém, ela fará um show gratuito com as cantoras Tulipa Ruiz e Céu na área aberta do Auditório Ibirapuera, no dia 22.

Segundo Zaz, não é preciso nascer em Paris para ter o espírito do lugar. "Você se torna parisiense quando caminha por um quarteirão da cidade, passa por um terraço, por uma ponte, sente os cheiros do lugar. Todos esses elementos fazem de você parte do lugar", filosofa. Moradora da cidade já na vida adulta, a cantora, de 34 anos, diz que é raro encontrar alguém que seja original de lá. "Acho que não existem ou são poucos os parisienses genuínos. Mas são pessoas do universo e de nacionalidades diversas que formam a riqueza dessa cidade", disse ao Estado, em entrevista por e-mail.



Seus dois primeiros discos, Zaz (2010) e Recto Verso (2013) têm elementos de pop, rock e jazz, estilos com os quais ela já havia trabalhado em grupos musicais que integrou na adolescência. Lançado no ano passado, o álbum Paris flerta com a chanson française, cada vez menos presente na vida dos compatriotas da cantora.

Ela garante que gravar composições tradicionais de seu país é uma maneira de passar a história adiante e não tem certeza de que é preciso fazer isso para ser aceita no mercado musical francês. "Não sei (se é como um pedágio). Só quis retomar um repertório clássico e atemporal para tentar me apropriar dele. Com as novas chansons, quis fazer com que um novo público pudesse descobri-las."

Por conta da mistura de gêneros e da voz grave e potente – com uma rouquidão que lembra o jeito de cantar de Edith Piaf (1915-1963) – Zaz caiu no gosto de artistas consagrados, como o produtor norte-americano Quincy Jones, parceiro musical de Michael Jackson, e Charles Aznavour, uma das figuras mais importantes da música na França. Ambos, participaram do disco mais recente.

Entretanto, ela jura não ter grandes ambições para o futuro. "Não funciono assim, não faço um disco pensando em tal nome. São as vantagens das chansons e do universo que eu gostaria de trazer que ditam as parcerias", minimiza a cantora, cujos primeiros álbuns venderam mais de 3 milhões de cópias em cerca de 50 países.

Nativa em um idioma que perdeu importância para o espanhol ao redor do mundo, ela reconhece os problemas em alcançar o mercado internacional, dominado pela língua inglesa. "Na França, há muitos artistas que cantam em francês. Eles não exportam a música deles, mas existem. Agora, você tem razão, é difícil chegar a outros territórios. Eu sou uma espécie de exceção à essa regra", afirma também.

Outro exemplo é o belga Stromae, que também estará em São Paulo em março, que vem conquistando fãs ao redor do planeta, mesmo cantando em seu idioma. Zaz tem noção de que parte de seus admiradores brasileiros não compreende tudo o que ela canta pela pouca familiaridade com a língua. "Certamente, não, mas posso, humildemente, ajudá-los a entender o francês", defende.

Sem citar nomes de colegas do País, a artista se derrete pela música tupiniquim. "Há uma grande e incrível tradição musical", elogia. Entretanto, Zaz explica que não pretende dedicar parte do repertório a composições nacionais. "Não quero manchar esse patrimônio e imagino que os artistas brasileiros cantam muito melhor do que eu a música deles. Talvez eu deixe escapar só uma surpresa."

No ano passado, a cantora foi criticada pela imprensa francesa por fazer uma apresentação fechada para uma empresa de seguros. Com um público de 600 pessoas e apenas 30 minutos de show, ela cobrou 40 mil. "Essa é uma polêmica ridícula. Aliás, não há nenhuma contradição. É parte da minha profissão. Valorizo o que quero dizer, mais do que apenas a minha notoriedade atual. Prefiro trabalhar no desenvolvimento de projetos que me falem ao coração", sentencia ela .

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