LEO AVERSA
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Cantora Paula Toller traz a sua turnê 'Como Eu Quero' a São Paulo

Paula Toller, que era vocalista e compositora da banda Kid Abelha, fala de sua carreira, da música inédita que vai apresentar no show em São Paulo, do sucesso e das muitas críticas

Amilton Pinheiro, Especial para o Estado

18 de maio de 2019 | 03h00

Em dezembro de 1984, a cantora e compositora Paula Toller participou do especial de fim de ano que a TV Bandeirantes, atual Band, fez em homenagem a Chico Buarque. Naquela época, Paula era a vocalista e compositora do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, grupo de pop rock que havia estourado em todo o Brasil com o lançamento do primeiro disco, Seu Espião, em fevereiro de 1984, que trazia, entre as 12 faixas, músicas que fariam sucesso até o fim da banda, oficialmente em 2016, entre elas: Fixação, Por Que Não Eu?, Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor), Pintura Íntima e Como Eu Quero.

E foi justamente Como Eu Quero, uma das músicas que Paula cantou no especial de Chico, que fez com que o artista comentasse sobre como um cara tirava a bermuda e conseguia ficar com cara de sério. “Diz pra eu ficar muda/Faz cara de mistério/Tira essa bermuda/Que eu Quero você sério.” 

Ao lembrar desse episódio na entrevista que a cantora deu por telefone por conta do show que fará neste sábado, 18, no Tom Brasil – da nova turnê Como Eu Quero –, Paula ri do outro lado da linha. “Chico é um parnasiano. Ele ficou intrigado com esse trecho da música e questionou no programa em tom de brincadeira que não fazia sentido essa frase da canção. Não fazia sentido para ele, mas fazia todo sentido para mim”, diz a cantora descontraída.

Quando começou a turnê Como Eu Quero, em novembro de 2017, iniciada em teatros, e que ao longo do ano seguinte entrou no circuito de casas de shows, Paula lançou duas músicas nas plataformas digitais, inclusive em clipes; Céu Azul, do Charlie Brown Jr., e A Fórmula do Amor, composição de Leo Jaime e Leoni, que o Kid Abelha já tinha gravado no início da carreira. 

O plano era terminar a turnê em 2018, com o lançamento de um DVD ao vivo, o que acabou não acontecendo. Paula conta que houve uma grande aceitação do público ao novo trabalho, com lotação esgotada em vários lugares por todo Brasil. “Como se trata da antologia com os sucessos do Kid Abelha e da carreira solo, o público foi pedindo nos shows que entrassem algumas canções deixadas de fora, o que fizemos com duas músicas”, conta. 

Neste sábado, Paula Toller vai estrear na cidade a inédita Essa Noite Sem Fim, que fez com o produtor Liminha. Além dele, que participou do primeiro trabalho do Kid Abelha, e é amigo e parceiro de Paula Toller desde então, acompanham a cantora os músicos Gustavo Camardella (violão e vocal), Pedro Augusto (teclados), Pedro Dias (baixo) e Adal Fonseca (bateria).

Com mais de 35 anos de estrada, juntando a carreira com o Kid Abelha e a solo, três discos de estúdio e um álbum ao vivo, a cantora disse que aprende muito com a nova geração. “Espero que esses músicos tragam uma nova maneira de pensar a música, que inspirem e ajudem a transformá-la”, afirma.  

Desde que entrou no Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, em 1983, Paula Toller teve de conviver com muitas cobranças e críticas da imprensa, que não aceitavam o repertório ingênuo da banda, e a voz da cantora era definida como “pequena e desafinada”. No disco Kid, de 1989, Cazuza escreveu num texto de apresentação do trabalho: “(...) Eu não gostava do grupo nem daquela garota tímida miando no microfone, achava tudo muito bobo. Mas a vida e o tempo, os amigos inseparáveis, vieram me provar que não. A banda, com o charme de Paula, que cada dia canta melhor – está usando os graves, voz de mulher decidida –, tudo isso transformou o Kid na maior banda pop brasileira”.

‘Eu venci. Não foi fácil, mas  estou aqui’

Paula Toller diz estar envolvida em vários  projetos musicais ou no cinema e não descarta  filme sobre o Kid Abelha

No início da carreira, diante das críticas à sua voz, Paula Toller foi aprender técnica vocal com a professora e cantora lírica Vera Maria do Canto e Mello e lembra que exercitava sua voz nos elevadores e corredores do prédio em que morava no bairro da Tijuca, no Rio. Sobre o convívio com as críticas, hoje ela afirma: “Eu venci. Estou aqui. Não foi nada fácil. Foi injusto em certos momentos. Mas eu estou aqui”.

Casada há 30 anos com o cineasta Lui Farias, e mãe de Gabriel, nascido em 1989, Paula diz que vive cercada de projetos, como os filmes de seu marido, diretor do longa Minha Fama de Mau, sobre Erasmo Carlos. A cantora participou do filme desde a concepção do projeto, até roteiro, trilha e foi coprodutora. “Adorei fazer. Vivo entre projetos de discos, shows, e também com os filmes do meu marido”, revela Paula.

Questionada se poderia futuramente produzir um filme e um livro sobre a trajetória do Kid Abelha, Paula ri. “Não sei, mas pode acontecer. Nunca pensamos nisso. Tem uma hora que a coisa acontece por uma série de fatores. Quem sabe isso aconteça em algum momento”, acrescenta. / A.P.

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