Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Cantora IZA lança seu álbum de estreia, 'Dona de Mim', com o hit 'Pesadão'

Em entrevista ao 'Estado', carioca fala sobre o primeiro trabalho e sobre a descoberta da música na infância, com discos de Nina Simone e Brian McKnight

Pedro Rocha, Especial para o Estado

27 Abril 2018 | 06h00

“Fui entender que sabia cantar com 6 anos. Cantava e percebia que minha voz saía maneira. Perguntava: ‘Mãe, minha voz tá saindo maneira?’”, relembra, aos risos, a carioca IZA, em entrevista ao Estado. Agora, aos 27 anos, ela lança o seu aguardado álbum de estreia, Dona de Mim, que chega às lojas e aos serviços de streaming nesta sexta-feira, 27.

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O disco chega impulsionado por seus primeiros hits. Pesadão, com Marcelo Falcão, já é platina tripla, com mais de 120 milhões de visualizações do clipe no YouTube. Ginga, com o rapper Rincon Sapiência, também segue um bom caminho, com 11 milhões de visualizações em apenas um mês. “Tenho trabalhado muito, minha agenda está cada vez mais lotada e estou muito feliz”, analisa a cantora sobre o sucesso meteórico recente.

Apesar de cantar desde criança, IZA só foi investir na carreira aos 24, quando começou a publicar no YouTube vídeos de covers, de nomes como Rihanna, Beyoncé e Nina Simone. Em seu álbum, as referências ao pop e ao R&B mundial são claras, principalmente na brincadeira que faz ao recitar alguns versos em inglês em Engano Seu. O trabalho, porém, é totalmente brasileiro. Por contar com participações diversas, que vão de Ivete Sangalo a Thiaguinho e ainda à rapper drag queen Gloria Groove, o pop de IZA absorveu ainda mais referências, do axé ao samba. “Sou assim, gosto de todas essas coisas. Como artista, todo mundo se reinventa”, acredita. “Achei bacana escolher não pensando no estilo musical que a pessoa canta, mas na sua personalidade e como ela me influencia.”

Em sua maior parte, Dona de Mim é um álbum bastante dançante. “É a energia que estou sentindo agora, estou muito feliz, me sentindo amada.” Nas músicas mais calmas, é a sensualidade que predomina, em canções como Toda Sua e No Ponto. “Meu álbum fala de tudo, amor, término, partida, sexo. É a vida”, analisa. “Acho legal, como mulher, falar sobre essas coisas abertamente.”

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Em seus clipes, IZA viu a oportunidade de apresentar também o seu estilo fashion, que em pouco tempo já virou referência. Esta semana, na São Paulo Fashion Week, os figurinos de Pesadão e Ginga estiveram em exposição. “Fico lisonjeada em saber que as pessoas do mundo da moda enxergam o que estou fazendo.”

Início. A entrevista de IZA ao Caderno 2 foi num hotel, em São Paulo. Enquanto comia brigadeiro, relembrou seus primeiros “shows” na infância, quando reunia a família e cobrava um real de cada um por sua apresentação. “Era sacolé para geral.”

A mãe da cantora é professora de música. As tias, musicoterapeutas. E do pai pai vieram suas maiores referências. Por conta do trabalho dele, na marinha mercante, a família se mudou do Rio para Natal, quando ela tinha seis anos. Por lá, vivenciaram uma grande enchente. “Perdemos quase tudo e eu perdi a minha discografia de Xuxa, Eliana e Angélica.” Filha única, IZA encontrou refúgio nos discos do pai. “Brincava sozinha e precisava da música. Aretha, Nina, Ella, Etta e principalmente Brian McKnight.” Ainda em Natal, ela se emocionava quando a família ia à igreja. “Até minha mãe entender que chorava porque a música era bonita, demorou.”

A família voltou ao Rio seis anos depois e, aos 14, a cantora, de família católica, começou a se apresentar na igreja, o que continuou a acontecer até a época da faculdade. “Na adolescência, comecei a ouvir Rihanna e Backstreet Boys. Não podia cantar Britney Spears na igreja, mas queria”, brinca. 

Foi apenas após se formar em Publicidade que IZA resolveu investir na carreira pop, com vídeos no YouTube. “Me sinto tranquila porque sei que não perdi tempo”, analisa sobre sua entrada “tardia” no mercado fonográfico. IZA chegou a trabalhar com Recursos Humanos e como gestora de mídias sociais da Secretaria de Estado de Assitência Social. “Tudo isso me ajudou. Hoje tenho pessoas que trabalham comigo, então é bom entender de RH, mídias sociais e sobre o mercado publicitário.” 

Ao voltar de Natal, a família se instalou em Olaria, onde ficou até a cantora entrar, com bolsa de estudos, numa faculdade particular. “Eram dois ônibus para ir e três para voltar”, relembra. “Minha mãe ficou preocupada porque era a época da pacificação do Alemão. Por isso fomos morar em Botafogo.”

Apesar de cantar pop, IZA não esquece a origem, tema presente em Pesadão e Linha de Frente. “Seria muita hipocrisia minha se eu não lutasse, sabendo a menina que fui, que precisava se ver representada”, analisa a cantora, que recentemente, nas redes sociais, pediu justiça à Marielle Franco. “São coisas que converso com a minha família. Quando falo publicamente não é proposital, faz parte da minha vida. Sou negra, do Rio, da Olaria, do subúrbio.” 

CONQUISTAS

Rock in Rio

Em setembro de 2017, IZA dividiu o Palco Sunset, do festival, com o americano CeeLo Green

Coldplay

Em novembro de 2017, a cantora abriu um dos shows da banda britânica em São Paulo

‘Pesadão’ I

Em abril, IZA e Marcelo Falcão receberam o certificado de platina tripla pelo single

‘Pesadão’ II

No YouTube, o clipe já conta com 122 milhões de visualizações

‘Ginga’

O clipe com Rincon Sapiência teve 11 milhões de visualizações em um mês

Spotify

A cantora já acumula mais de 2,5 milhões de ouvintes mensais no serviço de streaming

Festival Cultura Inglesa

IZA é uma das atrações do festival deste ano, que ocorre em 10 de junho em São Paulo, com show do britânico George Ezra

 
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