Cantora Allie X volta ao Brasil com canções do disco mais novo, ‘Super Sunset’

Em show nesta sexta, 14, em São Paulo, canadense mostra seu pop autêntico e influenciado pela música dos anos 1980 e 1990

Pedro Rocha, Especial para o Estado

14 de junho de 2019 | 03h00

Depois de pouco mais de dois anos, a cantora canadense Allie X está de volta ao Brasil. Após se apresentar em Curitiba, na última semana, ela agora faz shows em São Paulo, na sexta-feira, 14, no Fabrique Club, e no Rio, sábado, 15, no Queremos Festival, na Marina da Glória. 

Allie retorna ao Brasil com canções de seu mais recente álbum, Super Sunset, lançado em 2018. Em entrevista ao Estado, a cantora falou sobre as influências do trabalho. Há alguns anos, Allie X se mudou de Toronto, no Canadá, para Los Angeles, nos EUA.

“Quando estava em Toronto, tinha muitos amigos, minha família estava por perto, mas minha carreira não evoluía”, ela explica sobre a mudança. “Eu não entendia que LA era a meca da música pop.”

Ao chegar à cidade, sua carreira decolou. “Comecei a ter fãs, a imprensa estava escrevendo sobre mim, gravadoras me procurando”, recorda. “Mas, rapidamente, as coisas se tornaram difíceis. Num minuto você é a novidade mais quente, no outro ninguém mais se importa.”

As várias rejeições comerciais poderiam ter derrubado Allie, mas, para ela, foi uma motivação a mais para fazer o trabalho que sempre quis. “Em LA, eu consegui ter uma carreira fazendo música, o que é incrível, é um sonho poder viver disso. Mas LA me influenciou de um jeito ruim”, ela diz. “Lá é uma máquina pop. Se você vai numa sessão para compor, eles tocam o que esteja no rádio. Existem exceções, mas, no geral, querem que você faça músicas que se pareçam com músicas que já existem.”

Allie, que demorava um mês para compor uma música, passou a viver sob pressão. “De repente, eu estava numa sala com três pessoas e tínhamos umas seis horas para terminar uma faixa.” Após o choque, ela decidiu se voltar contra a “máquina pop”. “Depois de estar lá por cinco anos, percebi que o que eu fazia antes era melhor para mim, é o que me fazia especial. Agora eu tento ignorar a influência de Los Angeles e fazer o que é natural para mim.”

O seu pop autêntico e influenciado pela música dos anos 1980 e 1990 a colocou na caixa dos artistas “alternativos”, mas ela não se importa. “Eu não ligo, o pop mainstream pode ser ótimo, mas pode ser terrível também. Adoraria ser muito famosa e mainstream, mas eu jamais sacrificaria a integridade da música que faço para isso.”

A liberdade autoimposta por Allie se reflete em seus discos. Os dois primeiros, CollXtion I (2015) e CollXtion II (2017), têm uma sonoridade parecida. Super Sunset, no entanto, seguiu por outro caminho, inspirado pelo movimento Vaporwave. Suas referências às décadas passadas a inspiraram a lançar uma nova versão do disco no começo do ano. Ela elegeu algumas canções de Super Sunset para serem gravadas de forma analógica, sem aparatos digitais.

Em breve, vão começar as gravações de seu próximo trabalho, que deve seguir por outro caminho totalmente diferente. “Tenho ouvido alguns artistas góticos, como The Cure.”

ALLIE X

Fabrique Club. Rua Barra Funda, 1.071. Tel. 4306-4220.  6ª (14/6), 19h. R$ 100 / R$ 200 

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