Victor Soldano
Victor Soldano

Cantor Carlos Navas e o violonista Swami Júnior fazem show em SP

Eles se apresentam juntos pela primeira vez na capital paulista

Amilton Pinheiro, Especial para o Estado

01 de junho de 2017 | 07h00

O cantor Carlos Navas conheceu o violonista e compositor Swami Jr. em 1999, apresentado pelo músico Mario Manga, que produziu os seus três primeiros discos. Já no ano seguinte, Navas o convidou para participar do seu segundo álbum Carlos Navas – Sua Pessoa, em duas canções, Lua de Vintém e O Sopro. As músicas estarão no repertório do show que eles fazem juntos nesta quinta, 1.º, no teatro Anchieta do Sesc Consolação. “Nos conhecemos há 18 anos exatamente. Depois daquele primeiro encontro no estúdio, em 2000, o convidei novamente para gravar mais duas faixas do meu último álbum, Crimes de Amor, lançado em 2015, que foram: Palavras de Vento e Sem Destino”, conta o cantor ao Estado durante o ensaio que ele fez na casa do instrumentista.

Swami Jr., que completa 40 anos de carreira em 2017, diz se sentir à vontade ao lado de artistas como Carlos Navas, não somente por causa do seu repertório. “Mas, principalmente, pela coerência da sua carreira. Somos artistas que trilharam por um caminho em que acreditamos, sem abrir mão da qualidade e da liberdade de se expressar de forma honesta. A gente precisa muito de persistência, porque é difícil seguir uma carreira com personalidade”, explica.

Dificuldade é algo que acompanha a carreira de Carlos Navas, um artista independente, como ele mesmo gosta de frisar, que sobrevive da música de qualidade e de projetos autorais que dificilmente interessam aos ditames do mercado – sempre aberto ao comercial, sem expressividade artística –, como os que fez em homenagem a Custódio Mesquita e a Mario Reis. “Sobreviver de boa música não é fácil. Acho que nesses 21 anos (de carreira), consegui uma coisa que dinheiro nenhum compra, fui eu mesmo. Tenho uma personalidade que é identificada pelo público e pelo meio musical. Firmei uma identidade e essa foi minha maior conquista”, entende.

O instrumentista Swami Jr., que desde 2003 trabalha com a cantora cubana Omara Portuondo, pensou em ser músico sem levar em conta nem dinheiro e, muito menos, que caminho seguiria. No início, chegou a estudar violão clássico, mas quando seu pai lhe deu de presente um disco de Baden Powell (1937-2000), ele viu que aquele instrumento que estudava poderia fazer outras coisas. “Aquele disco foi minha primeira porrada estética. Tive outras ao longo da carreira, mas nada parecido com o trabalho de Baden Powell”, fala Swami Jr., que chegou a cruzar com o violonista quando foi morar em Paris. “Tive o privilégio também de vê-lo ao vivo em uma apresentação formidável que fez em uma grande sala de concertos em Paris. Baden lotava todos os shows que fazia na Europa, ele era um verdadeiro pop star do violão”, fala com entusiasmo sobre o instrumentista.

O show que Carlos Navas fará com Swami Jr. é fruto de um projeto mais amplo que ele idealizou e que ainda pretende realizar em breve. “A série se chama Ases & Cordas, com apresentações de quatro duplas, sempre um cantor e um violonista de peso, que, infelizmente, não foi selecionado no último edital da Caixa Cultural”, explica ele, que também tem engatilhado um disco com músicas infantis (já gravou dois discos para crianças, um com músicas de Vinicius de Moraes e outro com canções de Chico Buarque).

Sobre projetos futuros, Swami Jr. fala em tom de brincadeira que gostaria de gravar com Paul McCartney, que admira muito, mas se contenta em primeiro terminar os dois discos que tem com Omara Portuondo e torce para “que o Brasil possa ser um lugar mais fácil de trabalhar para artistas que não são absorvidos pelo mercado”.

Carlos Navas & Swami Jr.

Teatro Sesc Anchieta (Consolação), 5.ª (1.º), às 21h

R. Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque; Tel. 3234-3000.

Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)

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