Cantor belga Van Dam lança novo álbum

Um belo retrato do trabalho realizado pelo cantor belga José Van Dam é oferecido pelo CD Le Chant d´un Maître, da etiqueta européia Forlane, que pode ser encontrado em lojas de São Paulo que trabalham com discos importados. Neste disco o célebre baixo-barítono se mostra em canções e trechos de óperas que levam assinaturas como as de Mozart, Mahler, Verdi, Rossini, Puccini e Wagner, que colocam em realce a versatilidade de sua voz.Nascido em Bruxelas há 60 anos, Van Dam continua em plena forma vocal. Dono de um instrumento privilegiado, de extensa tessitura, costuma ir do baixo-profundo do Sarastro mozarteano até papéis mais leves de barítono. Com isso, é capaz de realizar tanto a personagem-título do Don Giovanni, de Mozart, quanto a de Leporello da mesma ópera.Grande estilista e um obcecado pela perfeição, Van Dam consegue abordar com naturalidade um repertório variadíssimo, cantando com pertinência em francês, italiano, alemão, inglês, russo e... flamenco, além do espanhol.Debutando na Ópera Garnier parisiense, em 1961, sua carreira se desenvolveria de maneira brilhante na década de 1970, quando estreou com enorme sucesso no Scalla de Milão, no Covent Garden londrino e no Met, de Nova York. Ainda que muito afeito às obras compostas durante os séculos 18 e 19, José Van Dam também sempre se interessou pela produção contemporânea nossa. Nesse sentido, basta lembrar que foi o primeiro a encarnar o papel-título da ópera São Francisco de Assis, em 1983, de Olivier Messiaen (1980-1992). E, muito refinado, vem nos dando requintadas versões de "mélodies" francesas e de Lieder alemãs. Além disso tudo, é um ator extraordinário, como provou nos filmes Don Giovanni, de Losey e no Mestre de Música, de Corbiau. Neste CD o Canto de um Mestre fica difícil saber onde ele está melhor, se na ária do catálogo do Don mozarteano, no monólogo de Philippe do Don Carlos, de Verdi, na ária da calúnia de O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, na cavatina de Wolfram do Tannhäuser, de Wagner ou na canção Perdi-me para o Mundo, de Mahler. É porque Van Dam é superior em tudo: emociona com Cortagiani, vil razza damnata, do Rigoletto de Verdi, faz rir com Sou o Passarinheiro de A Flauta Mágica, de Mozart e nos mergulha na metafísica Adeus de Wotan de A Valquíria, de Wagner, que também consta desse CD indispensável. No ano passado, o Mozarteum Brasileiro trouxe José Van Dam para uma apresentação memorável no Municipal. E os poucos eleitos que a condessa Sabine Lovatelli convidou para jantar com ele ficaram encantados com sua modéstia e o seu refinado senso de humor.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.