Canto lírico pode ganhar espaço em SP

A ópera de Câmara deve ganhar nos próximos meses um espaço próprio em São Paulo. Obras como Les Mamelles de Tirésias, de Poulenc, e Il Turco in Italia e O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, são alguns dos títulos candidatos a integrar o repertório do Teatro de Ópera de Câmara, projeto da diretora cênica Vivien Lando, que tem como objetivo criar um novo público para a ópera e dar incentivo ao artista nacional.O Teatro de Ópera de Câmara funcionaria da seguinte forma: na primeira fase, seriam necessários três meses de ensaio para que dois espetáculos pudessem começar simultaneamente. Na primeira semana seriam promovidas três récitas do primeiro título. Na semana seguinte, três do outro. Na terceira semana, as duas montagens aparecem juntas.Na etapa seguinte, teriam início os ensaios de uma terceira montagem que, em um prazo aproximado de dois meses, entraria no repertório da companhia ao lado das produções anteriores. Ao fim do período de 18 meses, a companhia contaria com seis óperas fixas no repertório, apresentando-se regularmente todas as semanas.Na primeira fase, a companhia seria formada por um diretor musical, um diretor cênico, dois assistentes - sendo que o assistente musical também atuaria como pianista-ensaiador -, 22 cantores e uma orquestra com 24 músicos - todos brasileiros. "Nesse primeiro momento, não queremos contratar artistas de fora e pretendemos escolher um repertório que possa ser interpretado pelo nosso elenco fixo", explica a diretora, que está em fase de captação de recursos.O projeto, segundo Vivien, está diretamente ligado à preocupação de dar espaço ao artista brasileiro. "A maioria dos espetáculos apresentados anualmente é de companhias ou solistas vindos do exterior e os profissionais nativos têm tido poucas chances de se apresentar e, portanto, de se aperfeiçoar. Embora não exista uma tradição operística no Brasil, há profissionais de nível excelente em diversos segmentos que se vêem obrigados a sair do País, dada a falta de mercado de trabalho."Vivien acredita também que, ao se montar uma programação estável, público não faltará. "Se você olhar a lotação da temporada lírica de São Paulo, mesmo quando os ingressos são absurdamente caros, ou a presença do público em projetos como as Vesperais Líricas, fica claro que há interesse das pessoas."Nesse sentido, Vivien aposta que o ópera de câmara pode desmitificar a ópera para o público em geral. "Para o público, é confortante poder assistir a uma ópera mais curta, mais leve, derrubando-se, assim, o mito corrente de que acompanhar ópera significa ficar quatro horas sentado em um teatro. Esse tipo de repertório facilita a criação de um público que nem sabia ser amante do canto lírico."A escolha do repertório de câmara, no entanto, foi orientada também por outros fatores. "Montar uma grande ópera exige, além de recursos altos, um processo de produção longo, uma grande quantidade de solistas de alto nível - e cachês proporcionais - e uma infra-estrutura que só um teatro do porte dos municipais é capaz de suprir." Para o projeto, deve ser utilizado o teatro Taib.Para Vivien, a ópera de câmara tem uma agilidade própria. "Orquestra menor, menos solistas, coro reduzido, cenários simples, menos equipamentos de luz. Assim, ao longo de uma temporada, um teatro de câmara pode produzir de quatro a seis novos espetáculos de altíssima qualidade, o que seria impossível no caso de grandes produções."

Agencia Estado,

27 de fevereiro de 2001 | 18h38

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