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Cantautores revela os nomes promissores da música pop e folk

Mostra chega à sua quarta edição em 2014

Lauro Lisboa Garcia - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2014 | 18h45

BELO HORIZONTE - Antes de começar sua apresentação na 4.ª Mostra Cantautores, no domingo, em Belo Horizonte, o compositor e violonista mineiro Sérgio Santos, reverberando a impressão de artistas, jornalistas, produtores e público que acompanharam a série de shows e encontros desde o dia 8, disse que esse é um tipo de evento exemplar, não apenas pela possibilidade de “ouvir coisas novas”. “Tenho certeza que essa semana toda foi extremamente rica para todo mundo que pôde participar dela, tanto do ponto de vista musical quanto pela possibilidade de trocar ideias.” Santos incluiu no show canções ainda não terminadas, o que deu bem a medida do caráter do evento, em que a maioria dos artistas abriu espaço para a experimentação.

Desde os consagrados Zé Miguel Wisnik e Guinga, que deixaram grandes lições na primeira noite, até iniciantes e ascendentes, como o surpreendente Pedro Carneiro (do Rio) e seu brilhante conterrâneo Thiago Amud, os paulistas Iara Rennó e Tó Brandileone (a atração mais pop e que atraiu o público mais jovem), o mineiro André Travassos e Téo Nicácio e o baiano Tiganá Santana - todos assumiram o palco sozinhos, acompanhados apenas dos próprios instrumentos (com predominância do violão). Essa possibilidade de ver os compositores apresentando suas canções, algumas conhecidas e boa parte delas inéditas, da forma mais crua e natural é o grande diferencial da Mostra para outros festivais.

O inesperado trouxe um português que vai na contracorrente do fado, por exemplo, e deslumbrou a plateia na noite de sábado com sua voz curtida ao estilo de Tom Waits e Serge Gainsbourg (de quem cantou La Javanaise no fim de seu show), e guitarras acústicas de acento folk. Tiganá embeveceu a plateia com sua voz profunda, um violão-tambor de cinco cordas adaptado ao seu estilo vocal e uma musicalidade totalmente enraizada em matrizes africanas e em contato com o sagrado. Um dos momentos mais comoventes foi seu dueto com Fabiana Cozza em Le Mali Chez la Carte Invisible. Brandileone transformou uma bela crônica de amor de Paulo Mendes Campos, do livro O Amor Acaba, numa peça de 8 minutos canto-falada apresentada da forma como criou em casa com um loop no computador - um exemplo de risco que cativou a plateia.

O resultado diz muito do que representam os idealizadores e curadores dentro da cena moderna da música mineira - Luiz Gabriel Lopes, Jennifer Souza, Kristoff Silva e Makely Ka. Vale também ressaltar a qualidade técnica do som pilotado por Brunno Corrêa. Ocupando quatro espaços da capital mineira com shows, encontros e debates, a Mostra, primou não apenas por revelar nomes promissores do pop, do folk, gente que faz misturas inclassificáveis, desde a tradição mineira em que o samba está inserido, até influências naturais do Clube da Esquina e reverenciar mestres como Guinga, referência de muitos jovens cantautores presentes. Criou também um ambiente de vivência pessoal e musical das mais saudáveis. Que o desejo de Sérgio Santos se realize e encontros como esse se espalhem pelo País.

* O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO DO FESTIVAL

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