Cansei de Ser Sexy (CSS), nunca tão pouco brasileiros

Banda acabou se tornando, depois do Sepultura, o mais internacional dos grupos brasileiros

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

17 de julho de 2008 | 12h15

Com o lançamento internacional de seu novo disco, Donkey (Sub Pop/Trama), o quinteto Cansei de Ser Sexy (ou apenas CSS, para a gringa) mostra que praticamente amarrou o burro na sombra. Saída do underground paulistano em 2003, a banda acabou se tornando, depois do Sepultura, o mais internacional dos grupos brasileiros, conquistando a Europa e os Estados Unidos em menos de 5 anos com sua mistura de indie com dance music. Veja também:Ouça trecho da canção 'Jager Yoga'   O álbum virtual Donkey, que tem 11 faixas, estará de graça no site da Trama a partir do dia 25 (também será encontrado nas lojas nesse dia). Foi produzido pelo baterista, baixista e compositor do grupo, Adriano Cintra, gravado em São Paulo nos estúdios da Trama e mixado em Los Angeles por Mark Stent. Pouco antes de deixar o grupo, em abril deste ano, a baixista Ira Trevisan disse a um jornalista que já estava doente de tanto lhe perguntarem sobre a ''herança brasileira'' da banda. ''Seria bom se eu tivesse nascido na Bélgica'', ela disse. Mais do que revelar um sentimento antipatriótico, a declaração de Ira Trevisan - que largou o grupo por sua própria vontade, para perseguir uma carreira na moda - é uma espécie de ''statement'' da natureza globalizada do Cansei de Ser Sexy. ''Faz algum sentido o que a Ira disse'', disse ao Estado a guitarrista Ana Rezende, falando por telefone de Londres, onde vive. ''Por causa do poder de algumas manifestações musicais do Brasil mais fortes, como a Tropicália e a bossa nova, as pessoas no exterior nos olham como se a gente tivesse obrigação de ter esse DNA. E eu acho que não é bem assim. Ninguém olha para uma banda sueca esperando que ela seja igual ao ABBA. Ninguém olha para uma banda de outros países achando que ela tem a obrigação de ter relação com a cultura mais antiga daquele país. Aí vem alguém e pergunta: por que vocês negam sua cultura? Não é que a gente negue, mas é que não temos essa obrigação. O fato de a gente ser de São Paulo é o motivo de ser ainda mais próximo de bandas internacionais que brasileiras. São Paulo é para onde as bandas vão, é onde há os melhores festivais de cinema, de música. E nós acabamos sendo reflexo disso. Em nossa carreira, tivemos mais contato com a cultura européia e americana. Nunca viajei tanto no Brasil quanto viajo pela Europa e Estados Unidos. Acho que, se a gente fosse do Recife, talvez tivesse uma ligação mais forte com as raízes.''

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