Canções que celebram São Paulo

Nos últimos 18 anos, a São Paulo retratada na forma de música instiga os estudos do jornalista e pesquisador Assis Ângelo. Até hoje, catalogou mais de 2,5 mil canções falando da cidade onde ele, paraibano de João Pessoa, vive há 30 anos. Ângelo quer compartilhar suas descobertas em um livro que já tem título (Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, Pequena Enciclopédia da Música Brasileira) e projeto gráfico assinado por Elifas Andreato. Tudo estava preparado para integrar a série de projetos ligados aos 450 Anos de São Paulo, mas a obra acabou não sendo lançada. Ângelo ainda procura patrocínio, para que o livro finalmente chegue a escolas e bibliotecas do País. "É uma obra dividida em capítulos e temática." Para quem duvida de sua dedicação, basta conhecer seu acervo - abastecido de LPs, CDs, livros e anotações - para perceber que o estudo é, de fato, parte da vida desse pesquisador. Nada começou de caso pensado. Veio de uma conversa com o amigo, editor de uma publicação antropológica, numa mesa de bar. Papo vai, papo vem, e o jornalista paraibano se viu saindo dali com uma missão: escrever um artigo sobre músicas feitas para a cidade de São Paulo. A referência, naquele momento, era de clássicos como Ronda, Paulo Vanzolini. Ângelo revirou seu acervo e a contagem chegou a quase 200 canções dentro dessa linha. O artigo foi publicado, mas as pesquisas nunca mais cessaram. "Virou uma obsessão." Uma obsessão produtiva, já que Ângelo descobriu pérolas, vasculhou histórias, levantou datas. "Tudo o que tem a ver com São Paulo interessa", diz. "É a cidade mais cantada do Brasil, quem sabe, do mundo. É mais cantada que o Rio." E quem imaginava que um baiano, que responde pelo nome de Tom Zé, fosse o compositor que mais compôs músicas sobre São Paulo, quase 30 no total? Aliás, conta o pesquisador, quem mais cantou São Paulo, pasmem, não foram os paulistanos, mas compositores de outros Estados. Outra curiosidade: existem 15 canções que trazem a palavra rapaziada no título. Tem Rapaziada da Mooca, Rapaziada da Penha, Rapaziada do Bom Retiro, Rapaziada da Liberdade. Só Rapaziada de Santana são duas. Mas a pioneira mesmo é a Rapaziada do Braz, composta como valsa por Alberto Marino, lançada por Bertorino Alma e seu sexteto, em 1927, e que, mais tarde, em 60, recebeu letra de Alberto Marino Jr. "Essa é a primeira canção considerada um clássico sobre São Paulo." Aí vai mais uma curiosidade: a música Ronda, uma das mais importantes dessa lista, pode ser encontrada em mais de 30 gravações. Mas por incrível que pareça, seu autor, Paulo Vanzolini, não gosta dela, afirma Assis Ângelo. Para nortear sua pesquisa, o jornalista utilizou alguns critérios básicos, como se ater a composições que trazem a capital na letra ou no título; só considerar as que foram gravadas; não fazer distinção de gênero musical (a lista vai do samba e do baião até rock, passando por modas de viola). Ao jornalista, foi lançado um desafio: apontar, dentre essas 2,5 mil canções que tentam extrair as várias facetas paulistanas, aquelas que são mais representativas. Tarefa difícil, todos devem admitir. "Não dá pra resumir em uma ou duas delas", avisa. Mas arrisca. Ronda, Sampa (Caetano), Eh! São Paulo (Alvarenga), São São Paulo (Tom Zé), 4º Centenário (Mário Zan e J.M. Alves)... Adendo: de acordo com o projeto original, o livro será acompanhado de dois CDs, numa espécie de coletânea dessas canções mais significativas.

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