Canções, mitos e lendas no rico repertório do Vozes Bugras

Bugre foi um nome genérico aplicado aos índios sul-americanos e a tudo aquilo que fosse considerado selvagem pelos colonizadores. Bugras são as vozes das mulheres que neste sábado, 28, realizam um belo e único espetáculo no Sesc Ipiranga. A idéia do trocadilho que deu origem ao grupo feminino formado em 2003 surgiu a partir do nome de outra reunião vocal de mulheres, só que dos Bálcãs - O Mistério das Vozes Búlgaras. Anunciação, Anabel Andrés, Tânia Piffer, Célia Gomes, Ully Costa, Daniela Lasalvia e as percussionistas Cássia Maria e Priscila Brigante são as mulheres que compõem Vozes Bugras, responsáveis pela pesquisa das mais ricas manifestações da música popular brasileira, colhendo frutos direto ?do pé?.Canções indígenas, afro e ibero descendentes são intercaladas com contação de histórias, como a lenda da mandioca que será ditada por Célia antes de interpretarem Águas de Maní. ?Apresentamos também contos e mitos de Oxum, candombe e defunto?, conta Anunciação, uma das fundadoras do grupo ao lado de Ully, Daniela e Anabel. Vozes Bugras busca, acima de tudo, uma identidade feminina na música brasileira. Metalofone, acordeão, flautas indígenas, violão, viola, cavaquinho e percussão, tocados pelas próprias integrantes, acompanham o coro. ?O espetáculo é harmonicamente muito rico.?Influências O repertório passeia por sambas cantados por Clementina de Jesus e Clara Nunes até composições do grupo, como Boiadeiro, de Tânia, e Jurema, de Daniela. ?Acabamos de receber aprovação pela Lei Rouanet para captar recursos a fim de realizarmos pesquisas in loco para o repertório do nosso primeiro CD, que deverá ser lançado no fim do ano ou início do próximo.? Vozes Bugras se alimenta, por enquanto, de registros históricos como os deixados por Mário de Andrade. No entanto, com a lei, as musicistas partirão para campo e já têm, inclusive, as áreas divididas. Ully integra a Liga das Escolas de Samba da Cidade de São Paulo e realizará um trabalho de resgate de canções relegadas das tias sambistas da capital. Enquanto isso, Anabel debruça-se sobre as manifestações dos índios guaranis e Anunciação volta totalmente sua atenção aos músicos vindos das terras áridas que vêm tentar a sorte na Praça da Sé.Para quem perder a oportunidade de assistir ao opulento resultado de nossa miscigenação amanhã, no Sesc Ipiranga, será concedida mais uma chance. Vozes Bugras vai se apresentar no início do próximo mês ao lado de outro grupo igualmente excepcional em resgatar raízes de músicas populares universais, o Mawaca. Também formado por vozes femininas, o grupo possui um trabalho aprofundado no folclore mundial, diferentemente do Vozes Bugras, essencialmente brasileiro.

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