Canções anti-guerra ganham mercado próprio

Mesmo com as principais emissoras de rádio evitando as canções polêmicas e as assessorias de imprensa de alguns artistas tentando abafar a controvérsia, o mercado das músicas anti-guerra está oficialmente formado. A rápida distribuição de manifestos isolados de nomes como Lenny Kravitz,R.E.M. e Beastie Boys impulsiona a produção de uma compilaçãochamada Peace Songs e de um web site que vai centralizarnovas gravações políticas.A organização War Child, que ajuda crianças em paísesafetados por guerras, está por trás do projeto Peace Songs,que chega ao mercado americano em maio. O disco deve trazer umamistura irregular de nomes famosos como Paul McCartney, DavidBowie, Céline Dion, Avril Lavigne, Cat Stevens, Barenaked Ladiese Bryan Adams.Alguns vão gravar faixas originais: McCartneyinterrompeu os ensaios da turnê européia para produzir a música,cujo título ainda não foi divulgado, e Cat Stevens fez suaprimeira canção pop desde que se converteu ao islamismo, nosanos 70. Outros vão apostar no cover: Avril Lavigne contribuicom uma versão de Knockin´ on Heaven´s Door. A pergunta é:será que ela sabe quem é Bob Dylan? O disco não foi feito para oconflito no Iraque: já estava previsto havia alguns meses.Paralelamente, o guitarrista do Sonic Youth, ThurstonMoore, acaba de lançar o "selo" virtual Protest Records. A idéia é criar um espaço em que "artistas, músicose poetas possam expressar amor e liberdade em face à ganância, osexismo, o racismo e a guerra".Já estão disponíveis faixas como In a World Gone Mad(recém-gravada pelos Beastie Boys, postada no site deles hápoucos dias); Rockets, de Cat Power; e um cover de Mastersof War, de Bob Dylan, gravada por Carla Bozulich. As músicaspodem ser baixadas, copiadas e trocadas na internet sem nenhumcusto. "Só não venda para ninguém", diz o site.A internet vem sendo utilizada para promover as músicasprincipalmente porque as emissoras de rádio americanas nãoquerem tocar canções anti-guerra. O incidente com as DixieChicks (que tiveram uma queda de 30% na execução de suas músicasdepois de uma crítica ao presidente) vem impusionando inclusivea proliferação de programas pró-guerra, como o Rally forAmerica, da gigante ClearChannel.Uma exceção é o novo single do Fleetwood Mac,Peacekeeper, que vem tendo uma ótima recepção em todo opaís. O grupo dos anos 70 continua com uma enorme base de fãsnos Estados Unidos, renovada com uma turnê de "reunião" em1997.Para tentar contornar o problema, a assessoria deimprensa de Madonna, por exemplo, está trabalhando duro paraconvencer o mercado de que American Life não é uma músicaanti-guerra. "A música não é política em nenhuma forma", dizLiz Rosenberg. "O vídeo pode ter algum conteúdo político, maseu ainda não assisti."

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