Canção de protesto entra na rotina do showbiz

Costuma-se dizer que as guerras trazem um único benefício em meio a seu rastro de destruição: os avanços tecnológicos produzidos com fins militares. Nesta, além da tecnologia, a música pop de protesto vai ficar entre as heranças do conflito. A cada dia mais um nome da música pop internacional adere ao engajamento musical antiguerra. Agora é a vez dos californianos punks do Green Day.O líder da banda, Billie Joe Armstrong, colocou a canção Life During Wartime no site do Green Day. A faixa, em que toca violão, traz na letra uma pergunta que talvez diga mais sobre o próprio Billie Joe, mas que não deixa de ser um protesto válido: "How can I rationalise my life during wartime?" (coisa parecida com "como posso pôr alguma ordem na minha vida em tempos de guerra?"). O baixista Mike Dirnt também deixou uma mensagem contra a guerra no site da banda.Assim o trio se junta a um grupo bem consistente de astros pacifistas que resolveram gravar músicas contra o conflito no Iraque. Ontem, foi noticiado que Lenny Kravitz gravou um dueto com o popstar iraquiano Kazem Al-Sahir, com o título de We Want Peace ("queremos paz"). A lista já é longa. Tem R.E.M, Blur, Beatie Boys, George Michael, Cat Stevens e o brasileiro Tom Zé. Os ingleses do Radiohead foram mais longe. Não contentes em dedicar uma só canção ao protesto contra a guerra, anunciaram que seu próximo disco vai trazer no título uma provocação ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. O álbum vai se chamar Hail to the Thief (ou "salve o ladrão"). Paródia à expressão "hail to the chief" (salve o chefe), muito usada nos EUA. O ladrão em questão é, o Radiohead afirma, George W. Bush. Os milhões de manifestantes que têm tomado as ruas do mundo para deprezar as iniciativas bélicas dos EUA e da Grã-Bretanha estão se refletindo na música e outros pontos do cenário cultural. Já estão na história do Oscar os gritos do documentarista Michael Moore ao receber o prêmio de melhor documentário por Bowling For Columbine. Moore quebrou o protocolo da cerimônia e bradou por duas vezes "shame on you, Mr. Bush" (que vergonha, senhor Bush).

Agencia Estado,

27 de março de 2003 | 12h35

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