Campos do Jordão 2001 terá dança e ópera

Campos do Jordão vive um paradoxo. Quando abrir seu tradicional Festival de Inverno, o 32º, em 7 de julho, vai receber um número recorde de visitantes na história da estância turística: 1,5 milhão de pessoas, segundo estimativa da prefeitura local (mais de meio milhão a mais que no ano passado). Por outro lado, a cidade preocupa-se com a crise energética, que pode provocar um apagão no clima da música erudita."Pensei que era fácil reduzir 20%", disse Lélio Gomes, prefeito de Campos do Jordão, referindo-se à sua conta particular de energia elétrica. Ele conseguiu reduzir seu consumo doméstico em apenas 16%. "Estou dando tropeção em casa à noite, em banquinho", brincou. Ainda assim, o secretário de Turismo da cidade, Tércio Laurelli, garante que um provável corte do fornecimento na cidade não prejudicaria as atividades do festival porque o principal auditório do festival e os demais espaços de apresentações artísticas são servidos por geradores. "Não vamos gastar a energia que está faltando no País", diz o prefeito.Em meio às indagações sobre a possibilidade de concertos às escuras, o secretário da Cultura do Estado de são Paulo, Marcos Mendonça, anunciou hoje, em entrevista coletiva, a programação da mostra. O custo, afirmou, está em torno de R$ 2,5 milhões e é majoritariamente patrocinado pela Telesp Celular. A principal novidade, segundo o secretário, é que o festival deste ano vai contemplar outras áreas artísticas, como a dança (com a ida do Ballet Kirov, companhia criada em 1738) e a ópera (com a montagem de Don Pasquale, peça do século 19, de Gaetano Donizetti). O Kirov vai mostrar o balé Noite de Estrelas, com ingressos a preços um tanto salgados: R$ 80,00."Toda a arrecadação vai para o Fundo Social de Solidariedade e para o Projeto Guri", disse o secretário Mendonça. O Projeto Guri é um programa musical de cunho social que atende a cerca de 300 crianças carentes no Estado de São Paulo.O festival será aberto, como já é tradição, pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Será no dia 7 de julho, às 21 horas, sob regência de Roberto Minczuk e com a participação do pianista Nelson Freire e do barítono americano Thomas Potter, especialista no repertório de Verdi (participou de montagens de Il Trovatore, Rigoletto e Macbeth, entre outras).Segundo o coordenador-geral do festival, Antonio Carlos Neves (também diretor do Conservatório Musical de Tatuí), são quase 700 estudantes nas diversas bolsas do festival e também nas masterclasses que a mostra está oferecendo com músicos como o pianista americano Bill Mays, ex-parceiro de Frank Zappa, Sarah Vaughan e Gerry Mulligan.Outra novidade é que o festival está promovendo a criação do que Neves chama de "uma nova Jazz Sinfônica", a Orquestra Jovem Tom Jobim, que tem regência de Roberto Sion e é formada por bolsistas com idades entre 13 e 25 anos. Deverá ter como objetivo tornar-se uma espécie de celeiro de outras formações no Estado.Neves também destaca como trunfo do evento a presença do conjunto americano Chestnut Brass Company, formado pelos músicos Bruce Barrie (trompete), Susan Sexton (trompete), Marian Hesse (trompa), Larry Zimmerman (trombone) e Jay Krush (tuba).Entre as atrações de música popular do festival, destacam-se a presença do percussionista Naná Vasconcelos, da cantora Elza Soares, do grupo mineiro Uakti, Danilo Caymmi, Yamandú Costa (vencedor da edição instrumental do Prêmio Visa), Banda Mantiqueira, Dante Ozzetti, Mônica Salmaso, Luis Melodia. Toda a programação do festival pode ser conferida no site www.culturapress.com.br/campos.

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