Campari Rock é pura pancadaria sonora

Uma noite depois da calmaria de Jack Johnson, o rock e a eletrônica rolaram pesado na bonita área do Hotel Fazenda Hípica nas imediações de Atibaia, no interior de São Paulo. Foi a segunda edição do Campari Rock. Criterioso na diversidade, o evento começou às 15 horas com o eletropunk do Montage. Como sempre ocorre com bandas que abrem eventos muito cedo, o grupo cearense e os mineiros do Digitaria que se apresentaram na seqüência tocaram para o vazio. A platéia ainda era minguada nos shows dos gaúchos dos Walverdes e dos paulistas do Ludovic, que em poucos minutos mostraram que têm cacife para crescer. A temperatura começou a subir com o Cachorro Grande, mas quem começou a quebrar tudo foram os americanos do Mission of Burma, que levantou a galera com músicas potentes como "That?s When I Reach for my Revolver". Impecável em seu primeiro show no Brasil, o power trio formado por Roger Miller (guitarra e vocais), Clint Cowley (baixo e vocais) e Peter Prescott (bateria), com intervenções eletrônicas de Bob Weston, arrebatou até quem só tinha ouvido falar deles por suas influências sobre uma legião de bandas modernas, como Sonic Youth e R.E.M., entre outras. Muito bom reconhecer ao vivo a fonte de tudo. "Os velhos continuam legais" Profundo conhecedor de todo o repertório do MoB, o roqueiro Sandro Rodrigues, de 32 anos, acompanhado de Andrea Sampaio, não parou de dançar enquanto cantava todas as letras. "Os velhos mandaram bem. É muito bom ver bandas antigas que continuam legais", disse Rodrigues, que até achou estranho o público mais jovem aplaudir e pular com o MoB. "Acho que esse pessoal não conhece nada, não deve nem saber o que eles significam. Quando falam de R.E.M. tudo o que lembram é de ?Losing my Religion?", criticou. Em meio à pancadaria sonora, mesclando rock com eletrônica (que foi a tônica de todo o evento) sobrou até para o presidente americano, quando o guitarrista fez um sinal de negativo com o polegar e disse: "George Bush sucks". Jorge du Peixe e Lúcio Maia, da Nação Zumbi, também tocaram de leve na política lembrando que "este é ano de eleição e tá cheio de malaco aí". Para a Nação parecia uma missão espinhosa manter o alto nível do festival depois da passagem avassaladora do MoB. Só parecia. Quem acompanha o grupo conhece seus trunfos. E, mesclando canções do novo álbum, ?Futura?, com hits certeiros, os pernambucanos fizeram um dos melhores shows da noite e dos mais memoráveis de sua carreira. De ?Hoje, Amanhã e Depois? à dobradinha de ?Quando a Maré Encher? com ?Da Lama ao Caos?, foram infernais. "Quando a estrutura é boa tudo rola na seqüência", avaliou Du Peixe depois do show. "Todo Estado devia fazer festivais como este." Cinco mil roqueirosCom um público estimado em 5 mil pessoas até as 22 horas, os paulistas do "Ira!" entraram na seqüência alternando músicas próprias e covers de The Clash, Legião Urbana e Jimi Hendrix. Não empolgou muito no começo, mas depois deslanchou. A infra-estrutura, a eficiência da segurança, o som de boa qualidade e em alto volume e a organização contribuíram para uma noite bacana, com barulhão bom. O tempo permaneceu estável até uma certa hora. Durante poucos minutos na apresentação da NZ caíram algumas gotas de chuva. Curiosamente, foi logo depois de Du Peixe cantar os versos "tá fazendo sol, vai chover, vai chover", de "Mormaço". No final da apresentação do Ira! voltou a descer água, desta vez com um pouco mais de intensidade. Pontuais no início, os shows começaram a atrasar com o avanço da noite, mas sem grandes incômodos. O festival prosseguiria com as apresentações dos ingleses do Supergrass. No roteiro, várias canções do novo CD, "Road to Rouen", e hits dos seus outros quatro álbuns. Nos bastidores comentava-se que o show do grupo talvez fosse mais curto porque o baterista Danny Goffey torceu o pé jogando futebol à tarde. A última atração programada, para a 1 hora de domingo, era a dupla Fixmer-McCarthy. O francês David Carretta, que encerraria o festival, cancelou sua apresentação por problemas de saúde.

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