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Camerata Aberta comemora dois anos e lança primeiro CD

Concerto marca o aniversário do único grupo estável do País dedicado à música contemporânea

João Marcos Coelho - O Estado de S.Paulo,

14 de maio de 2012 | 11h24

Dupla vitória. É assim que devem se sentir os profissionais da música envolvidos na criação e dia a dia da Camerata Aberta. O concerto desta terça-feira, no Sesc Bom Retiro, marca os dois anos de existência do único grupo estável do País dedicado à música contemporânea e o lançamento de seu primeiro CD, Espelho d'Água, com cinco das sete obras nele incluídas compostas nos últimos dez anos. É música nova, música viva mesmo.

Durante este período, o grupo realizou 23 concertos, a maioria em SP, mas também em NY e Amsterdã e sempre com público excelente. A qualidade artística é resultado de um nascimento correto: no início de 2010, um concurso selecionou quase duas dezenas entre os mais talentosos músicos em atividade.

A iniciativa da Organização Social Santa Marcelina contou com Silvio Ferraz, Paulo Zuben e Sérgio Kafejian no comando direto. Ao trio juntam-se, no conselho artístico, Flô Menezes, Marisa Rezende e o regente francês Guillaume Bourgogne, que regeu boa parte dos concertos e também no CD, atitude correta porque permitiu a construção de uma sonoridade própria.

Em texto no encarte do CD (Selo Sesc, à venda nas unidades da instituição por R$ 25; no concerto de lançamento, R$ 20), o compositor Flô Menezes estabelece afinidades e relação de ascendência entre a Camerata e a pioneira e radical Sociedade de Execuções Musicais Privadas de Viena, concebida e tocada por Arnold Schoenberg entre 1918 e 1921. Cita outros projetos brasileiros anteriores, como o Madrigal Klaus Dieter-Wolf, Grupo Nexos, Percussão Agora e Novo Horizonte. Todos de curta duração.

'Nenhuma teve o apoio institucional devido', escreve Flô, 'dependiam, em essência, da iniciativa quase pessoal de seus idealizadores'. E alerta que 'para existir institucionalmente, um grupo como este deve/deveria/deverá contar com apoio irrestrito por parte das pessoas que respondam às posições de comando das instituições culturais, sem que se precise debater a cada semana para que continue a existir!'.

A Camerata comemora uma dupla vitória importante. Mas ainda precisa, absurdamente, lutar pela terceira: o direito de existir institucionalmente.

CAMERATA ABERTA

Sesc Bom Retiro (Al. Nothmann, 185). Tel. (011) 3332-3600. 3ª, às 20 h. R$ 24.

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