Caju e Castanha estão em show e 2 filmes

"Vamos, minha gente, afundar oTitanic/ Que ele ganhou dinheiro de tanto fazer trambique..."Castanha canta ao telefone, para o repórter, os versos iniciaisda embolada que Caju e ele improvisaram diante da câmera deWalter Salles e Daniela Thomas para A Saga dos Guerreiros. Ocurta exibido no Festival de Cannes terá pré-estréia nesta quinta, às20 horas, no Itaú Cultural, na abertura de uma programaçãodedicada à dupla de emboladores que vai até sábado.Outro filme integra o programa - o documentário Nordeste:Cordel, Repente, Canção, de Tânia Quaresma, dos anos 1970 - eos emboladores vão apresentar-se ao vivo, em espetáculosgratuitos.Como alguém se torna embolador? "Pergunte à fome", respondeCastanha, bem-humorado. Foi a fome que os levou, a ele e aoirmão Caju, a apresentar-se em feiras no Nordeste. Começaramcantando os sucessos de Roberto Carlos. Tornaram-se emboladores.Com a familiaridade de quem trabalha há 30 anos com o assunto,Castanha dá uma definição que é quase aquela do dicionárioAurélio. A embolada é uma forma poético-musical, em compassobinário, que pode ser improvisada ou não. É usada pelos solistasem peças com refrão coral ou de forma dialogada, em cocos edesafios, e produziu grandes artistas, como Manezinho Araújo.Castanha sempre se apresentou com o irmão, mas ele morreu no anopassado e foi substituído por seu filho, o Cajuzinho. Aidentificação continua a mesma. Castanha e Caju já foramcriticados por acrescentar novas referências à raiz. A embolada,de base portuguesa - nos jograis, que também originaram oscordéis -, era acompanhada só ao pandeiro. Eles incorporaramnovos instrumentos à embolada. Castanha diz que não perderam araiz por isso. Viraram referência para artistas como Lenine.Apresentados a Walter Salles, que já conhecia o trabalho deles,por um nordestino "arretado" - George Moura, redator doLinha Direta -, foram convidados a fazer o curta quesatiriza a luta do cinema brasileiro contra o gigante americanoque domina o mercado. Daí o título . O curta,basicamente um plano-seqüência com a câmera parada nosemboladores -, é muito simpático. Foi aplaudidíssimo em Cannes.É a sua vez de aplaudi-lo, também.Serviço Caju e Castanha. Filme quinta-feira, às 20 horas, shows sexta esábado, às 19h30. Grátis (os ingressos devem ser retirados com 1hora de antecedência). Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149,tel. (11) 3268-1777.

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