Caixa de CD recupera a história do choro no Brasil

Quem escutar alguns dos 144 choros, valsas ou polcas da caixa Choro Carioca - Música do Brasil, produzida por Luciana Rabelo e Maurício Carrilho para a Acari Records, vai pensar que são músicas de hoje, dada a sofisticação das melodias e harmonias. No entanto, nenhuma delas tem menos de 100 anos e algumas foram compostas ainda no século 19, quando o choro se firmou como gênero brasileiro, o primeiro a surgir e que dá frutos até hoje. "Esta caixa é continuação da coleção Princípios do Choro, lançada em 2002, com as primeiras músicas compostas neste gênero", adianta Maurício Carrilho. "Era uma época em que a escravidão tinha acabado havia pouco e muitos ex-escravos tinham vindo para a cidade, onde conviviam com o pessoal que também faria o samba, na década seguinte." As duas coleções são resultado da pesquisa da violonista e pesquisadora Anna Paes, mulher de Maurício Carrilho, que levantou cerca de 1.300 mil compositores e 8 mil partituras para a Enciclopédia Ilustrada do Choro - Século 19, um trabalho à espera de editora e patrocínio para ser lançado. Enquanto isso, os discos vão saindo. Primeiro foi a série Princípios do Choro com os pioneiros, como o nome diz. Houve o CD Mulheres do Choro e agora Maurício e Luciana mapeiam o gênero pelo Brasil. "O choro começou aqui no Rio, mas se espalhou e encontramos chorões até no Amapá, como Oscar Santos, cuja família nos enviou as partituras", conta Luciana. "Tem chorão em Goiás (Armando Esteves), Belém (José Agostinho Fonseca) e em todo lugar, porque músico é como passarinho, vai fecundando os lugares por onde passa." Nesta caixa há curiosidades importantes, como músicas de Alessandro Gnattali (pai de Radamés, italiano que chegou a Porto Alegre com 20 anos, em 1896) e Alfredo da Rocha Viana (pai de Pixinguinha, cujo choro escolhido chama-se Tristezas não Pagam Dívidas, mesmo título de uma composição de Ismael Silva) e até de Heitor Villa-Lobos, que a par de sua carreira erudita nunca deixou se ser chorão e aparece com a valsa Tristoroza. "Em alguns casos foi preciso descobrir como eram algumas passagens, pois as partituras estavam em mau estado e não temos registro de como essas músicas eram tocadas na época em que foram compostas" conta Maurício, ele mesmo um chorão com três discos lançados e um novo previsto para o primeiro semestre deste ano. "Escolhemos uma interpretação atual porque somos músicos de hoje, com uma informação de nossos dias." A caixa, com nove CDs e um livreto com informações sobre os 74 compositores, está à venda no site Acari (www.acari.com br) a R$ 150, uma pechincha considerando a qualidade da música e sua quantidade. Luciana não se espanta com o sucesso do choro entre jovens. "É bom de ouvir, tocar e também faz as pessoas dançarem" comenta.

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