Bruno Shintate
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Caio Falcão se inspira na música baiana para criar seu novo disco

Com referências do axé, ijexá e inspiração de Caetano Veloso, cantor e compositor paulistano lança o álbum ‘Vulgar’

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2019 | 09h39

As músicas do cantor e compositor Caio Falcão passaram de uma orquestração mais experimental que misturava samba, rock e outros estilos no disco Tudo Verde (2014) para um conjunto de arranjos mais simplificados e mais conectados ao axé e ao ijexá em Vulgar (2019), seu segundo disco, disponível agora nas plataformas digitais, lançado pelo Selo Risco.

A constatação chega aos ouvidos logo nos primeiros acordes da faixa título, com participação de Tim Bernardes, e que dá o tom do disco: temas cotidianos do ambiente urbano se misturam com questões do coração numa levada ijexá.

A aproximação com a música baiana é um dos pontos centrais do trabalho, conta o músico de 30 anos, hoje morador do bairro Rio Pequeno, na zona oeste de São Paulo. “Nas pistas de dança, os sons dos anos 1990 voltaram, e achei muito louco porque existem ali coisas maravilhosas que eu não ouvia muito quando era criança”, explica. De Timbalada a Daniela Mercury, mas sem esquecer de Caetano Veloso (a referência musical de toda sua vida) e do violão picado de João Gilberto, a ideia era elaborar uma desconstrução e apresentar uma leitura particular daquelas ideias.

Se no primeiro disco a carga do rock n’ roll era maior, agora ela aparece em outros momentos, mais precisa. “O Metá Metá, nesse sentido, é uma enorme influência para toda a música independente, e para quem faz essa canção de pesquisa”, diz.

Falcão conta que compõe desde o colegial, por volta de 2005. Na época, ouvia muito Caetano e também Itamar Assumpção, cujos sons o ensinaram a compor pautado pelo baixo, o que cria uma base “mais cômoda” para harmonias fixas serem trabalhadas em seguida. Ele então ingressou na faculdade de arquitetura (que ainda lhe rende trabalhos eventuais de fotografia), mas diz que entrou e saiu com o violão no colo. Quando completou 10 anos de composições caseiras, resolveu se dedicar de fato à música e montar uma banda, que se chamaria Caio Falcão e Um Bando.

A banda tinha 6 pessoas, mas com o tempo o grupo perdeu o sobrenome e Caio passou a tocar só com um ou dois parceiros (Leonardo Sogabe é seu principal arranjador) – agruras de um músico independente que precisa dividir o cachê. A redução no número de integrantes levou à mencionada simplificação dos arranjos e um resultado final mais próximo das composições.

Falcão também faz parte do Selo Risco desde a criação da marca, em 2013. Com nomes de peso do cenário alternativo de São Paulo, como O Terno e Luiza Lian, o selo criado por Gui Jesus Toledo e Guilherme Giraldi ganhou notoriedade e conseguiu construir uma imagem própria ao lado de seus artistas. “Apesar de desde o primeiro momento ser assim”, comenta Falcão, “o selo se tornou mais estruturado ao longo dos anos. Naquele primeiro momento, as bandas mais ajudavam o selo do que o contrário. Agora, são outros caminhos. A curadoria deles se aproximou mais da canção, é cada vez mais interessante justamente porque saiu um pouco do grupo de pessoas que já se conhecia. Pessoas como Maria Beraldo e Jonas Sá vieram somar muito, tanto em relação à estética quanto à canção.”

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