FELIPE RAU | ESTADÃO CONTEÚDO
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Crítica: Cage The Elephant alterna entre o novo e o velho rock do em novo disco

Banda de Kentucky, famosa pela energia no palco, desacelera o passo em novo disco, o quarto da carreira, produzido por líder do Black Keys

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2016 | 06h00

Eles já foram os “novos Nirvana”, os “novos Pixies”. Agora as referências estão mais esparsas e ainda continuam escancaradas: vão de Iggy Pop e seu Stooges à nova psicodelia do Black Keys. A barulhenta Cage the Elephant, responsável por momentos notáveis nas duas passagens pela versão paulistana do Lollapalooza, em 2012 e 2014, deixou a sujeira e a gritaria para trás no quarto álbum do grupo, Tell Me I’m Pretty, lançado há pouco – no Brasil, ele está disponível no iTunes e nos serviços de música por streaming.

O agora quarteto – o guitarrista Lincoln Parish deixou o grupo em 2013 – desacelera o ritmo alucinante exibido nos discos anteriores, principalmente em Cage the Elephant (2008) e Thank You, Happy Birthday (2011), como um movimento natural de músicos que amadurecem e percebem que nem só de atitude vive a música.

Foram atrás de Dan Auerbach, a metade boa do duo Black Keys, para que ele assinasse a produção do novo álbum e conferisse a sua assinatura própria. Gravaram em Nashville, onde mora o guitarrista e vocalista também do grupo The Arcs, capital do country e, atualmente, transformada em nova meca do rock graças à presença do Black Keys e de Jack White por lá.

Tell Me I’m Pretty tem a efervescência da safra mais recente da banda de Auberbach, um híbrido do pop El Camino e da psicodelia moderada de Turn Blue. Cry Baby, seguida por Mess Around, abre o álbum com alguma urgência e peso, mas é um cartão de visitas enganador. As nove faixas seguintes seguem por caminhos vagarosos.

Matthew Shultz, vocalista do grupo, conhecido pelas performances ensandecidas no palco, terá dificuldade de se transformar naquela fera alucinada durante as apresentações ao vivo com essa safra mais recente, adequada ao conceito de canção. Ganha, em contrapartida, justamente por isso. Quando o Cage The Elephant deixa de se propor à barulheira, o grupo mostra o melhor que tem a oferecer. Em Sweetie Little Jean, uma das melhores do disco, Shultz revive dias da perda da inocência quando, ainda criança, uma de suas amigas foi sequestrada e uma busca teve início na cidade onde moravam, em Bowling Green (Kentucky). O corpo dela foi achado somente em outubro, no Tennessee.

Too Late to Say Goodbye também se destaca por soar muito própria, sem que as referências sejam escancaradas nas camadas mais evidentes. Infelizmente, não é o caso de Portuguese Knife Fight, uma versão mequetrefe de Stooges.

Quatro discos depois, a trajetória da evolução do Cage The Elephant ainda se confunde com as inspirações. São “novos isso” ou “novos aquilo”, mas nunca a própria banda. É divertido de se ouvir, mas o alarme de emergência de que talvez não exista identidade própria já está acionado.

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