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Caetano Veloso na trilha do filme ‘O Bem Amado’

Lançada em CD, trilha do longa é aberta por 'Esta Terra', composta por Caetano e José Almino

30 de junho de 2010 | 15h47

Adriana Del Ré

 

SÃO PAULO - As trapalhadas de Odorico Paraguaçu, adorável prefeito de intenções duvidosas, ganham a interpretação de Marco Nanini e canções originais no filme O Bem Amado, de Guel Arraes, que estreia no dia 23 de julho. Assinada por Caetano Veloso, Berna Ceppas e Mauro Lima, a trilha sonora reúne sete músicas inéditas e três releituras, que reproduzem um pouco da atmosfera bem-humorada da fictícia cidade de Sucupira, localizada num lugar qualquer do litoral da Bahia, e de seus habitantes.

 

Lançada em CD, a trilha é aberta por Esta Terra, composta especialmente por Caetano Veloso e José Almino para o longa-metragem, com interpretação do próprio Caetano. "Foi um poema do Almino que eu musiquei. É uma canção engraçada, irônica, meio Tropicalista e que vai sobre a imagem do enterro. Às vezes, a trilha de um filme define o clima dele", explica Caetano. "Como o filme é muito farsesco, não tem nada realista, as atuações são exageradas, tudo é feito de maneira não sóbria, a música tinha de sublinhar e também compensar isso. Acho que o Guel já tinha essa ideia e nós fomos fazendo dessa maneira."

 

Entre a nova safra, A Vida Ruim, também de Caetano, recebeu uma versão instrumental e outra gravada por Zélia Duncan, com ares de dor de cotovelo. O simpático Jingle do Odorico, composta pelos cineastas Guel Arraes e Jorge Furtado, com Kassin e Berna Ceppas, traz Thalma de Freitas, Nina Becker e Cecilia Spyer entoando, em coro, "O Bem Amado, o grande líder/Ele é o salvador/O povo não se esquece, o povo tem memória/Ainda bem que ele voltou!".

 

No Boogie Sem Nome, de Mauro Lima, os cantores Leo Jaime, Selvagem Big Abreu, Bob Gallo e Leandro Verdeal asseguram o clima à la anos 1950. Já na instrumental Chachacha das Cajazeiras (Kassin), vem a homenagem às irmãs Cajazeiras, solteironas cheias de amor para dar, aliadas do prefeito Odorico - que, no cinema, serão interpretadas por Andrea Beltrão, Drica Moraes e Zezé Polessa.

 

Na linha de releituras, Caetano Veloso pega a canção A Bandeira do Meu Partido, do álbum que ele mesmo produziu, o Antimaldito, de Jorge Mautner (1985). Na voz de Mautner, a música, que foi composta em 1958, pincela a trilha com um momento mais politizado. O clássico Carcará, de João do Valle e José Cândido, vem embalado na voz soturna de Zé Ramalho e é endereçado ao temido matador Zeca Diabo, encarnado no filme por José Wilker. Na romântica Nossa Canção, de Luiz Ayrão (famosa na versão de Roberto Carlos e, depois, Vanessa da Mata), Mallu Magalhães embala os momentos in love do jovem casal formado por Violeta (Maria Flor), filha do prefeito que estuda na capital, e Neco (Caio Blat), um jovem repórter.

 

Eternizado como seriado de TV por Paulo Gracindo, Lima Duarte e grande elenco, entre os anos 1970 e 1980, O Bem Amado conta as desventuras de Odorico Paraguaçu, que sonha em ver concretizado seu grande feito político: a inauguração o cemitério da cidade. Só é impedido por um simples detalhe: ninguém morre.

 

A trama é inspirada numa peça de teatro do autor Dias Gomes, chamada Odorico, o Bem-Amado ou Os Mistérios do Amor e da Morte, que foi escrita em 1962.

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