Caetano Veloso diz que associação Procure Saber está 'com mais cara de futuro'

Caetano Veloso diz que associação Procure Saber está 'com mais cara de futuro'

Após polêmica das biografias, grupo volta a se reunir para discutir direitos autorais e questões do segmento musical

O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2014 | 10h47

A página no Facebook da associação Procure Saber, liderada pela empresária Paula Lavigne, compartilhou imagens da reunião que ocorreu na segunda-feira (8) para discutir questões de direitos autorais e regulamentações na área de música. O encontro contou com a presença de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Anitta, Zezé di Camargo, Marisa Monte, entre outros.

A postagem também é composta por um texto de Caetano. Ele afirmou que "a associação está inteira, maior e com mais cara de futuro", depois de se envolver na polêmica das biografias no ano passado. O cantor disse que o tema "traumatizou o grupo em medida considerável". O que o Procure Saber quer levar à frente, ressalta ele, é o tema da redistribuição do direito autoral e questões trabalhistas e tributárias do segmento musical.

Leia na íntegra o texto de Caetano Veloso

"Fui na segunda-feira a uma reunião da APS, Associação Procure Saber. Isso não acontecia faz tempo. Acho que desde a confusão por causa das biografias (a diretoria vinha se reunindo e trabalhando mas os conselheiros não eram convocados - e eu sou um deles). Em primeiro lugar, é preciso dizer que essa história de que a Procure Saber é uma associação de medalhões é mais uma tolice da imprensa: lá estavam Ana Cañas e Erasmo Carlos, Gilberto Gil e Anitta, Jair Oliveira e Emicida, Djavan e Zezé de Camargo, Lucinha Araújo e Marisa Monte, Pretinho da Serrinha e Ana Carolina, Frejat e Simoninha, Max Viana e Tim Rescala, Xande de Pilares e Thiaguinho, Jorge Aragão e Nando Reis, Jorge Vercilo e Otto, Nelson Motta e Marcia Castro, Ana Jobim e Mosquito, Lenine e Carlinhos Brown, isso só para citar os nomes que me vieram à mente sem que eu parasse para pensar - além de empresários de artistas tão diferentes quanto Luan Santana, Bruno & Marrone, Ney Matogrosso, Sorocaba, Alexandre Pires, Milton Nascimento, Racionais MCs, Paralamas do Sucessos e Paula Fernandes, representada por sua mãe. Ouvi vários falarem e vi que a associação está inteira, maior e com mais cara de futuro. Ouvi do linchamento midiático que se seguiu à tentativa de levar a sociedade brasileira a enfrentar a questão das biografias como um problema a ser discutido. Todos lá sabem que eu nunca fui pela exigência de autorização para que biografias fossem publicadas, mas que prometi não atrapalhar - e até ajudar - meus amigos que não pensam assim. E que terminei descobrindo quantas razões eles tinham para ter a postura crítica da lei liberadora sumária que acabou sendo adotada. O tom histérico e muitas vezes desonesto da imprensa não tendo sido a menor dessas razões. Mas a turma da APS (diferentemente de mim) não quer mexer nesse tema, que a traumatizou em medida considerável. Pelo menos não agora. Quer ter fôlego para levar adiante a luta que herdou do GAP (o Grupo de Apoio Parlamentar, que conta com Leoni, Frejat, Sérgio Ricardo, Tim Rescala, Fernanda Abreu, Ivan Lins e tantos outros) de exigência de clareza por parte do ECAD. E de encarar os outros desafios: as questões trabalhistas; o problema tributário, quando o direito autoral, que é um bem móvel, é considerado um serviço ao pagar ISS; os métodos de pontuação. Fiquei sabendo que houve um encontro entre membros da Procure Saber e o ECAD. Houve quem dissesse que o ECAD recebeu os diretores da APS de portas abertas. Houve quem contestasse que o que houve foi apenas uma receptividade imposta ao ECAD pelas conquistas do GAP e da Procure Saber. Em ambas situações, a proximidade só aconteceu após a aprovação da nova lei. Também ouvi (de Carlinhos Brown) a pergunta sobre como chamar para dentro músicos e autores da Bahia, do Pará ou do Mato Grosso do Sul. Lembrei-me que ouvi de músicos cariocas, pessoal avisado, que a grande distribuição que se seguiu ao acordo fechado entre o ECAD e as grandes redes de TV (Globo sobretudo) era prova de que o ECAD funciona bem. Contei que tinha argumentado com esses músicos que isso se devia à ação da Procure Saber - mas que não encontrei receptividade em meus interlocutores, que ainda pareciam ter pouca confiança na associação. O fato é que a APS, seguindo os passos do GAP e trazendo-o para dentro de si, foi quem provocou a distribuição pelo ECAD de cerca de R$ 800 milhões em acordos que se arrastavam por anos entre o escritório de arrecadação e empresas como Globo, Sky e NET. Esses acordos, que antes pareciam impossíveis, aconteceram depois da vitória da APS no Congresso. Afinal, a lei é de agosto e os acordos foram fechados depois. É importante salientar que hoje membros da nossa diretoria, como Dudu Falcão que integra a ABRAMUS, estão participando ativa e internamente das sociedades arrecadadoras, fazendo com que os debates aconteçam com mais frequência e as formas de distribuição sejam mais justas. Fui ouvido e minha história (que se referia a bons músicos que, no entanto, não representam a maioria da classe nem indicam sua tendência em questões de direitos) parece ter influenciado o conselheiro Gilberto Gil, que sugeriu que membros da APS escrevessem emails e posts em suas redes sociais esclarecendo esses fatos. É o que estou fazendo aqui"

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