WILTON JUNIOR|ESTADÃO
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Caetano e Erasmo fazem show em prédio ocupado

Músicos se apresentam na sede do Ministério da Educação, no Rio, em protesto contra o fim do MinC

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

20 de maio de 2016 | 21h10

RIO - Entre gritos de “Fora, Temer” entoados pelo público ao fim de cada canção, os cantores e compositores Caetano Veloso e Erasmo Carlos fizeram shows na sexta à noite, no Palácio Gustavo Capanema, sede do Ministério da Educação - e da extinta pasta da Cultura -, centro do Rio. O prédio está ocupado desde a última segunda-feira por profissionais do setor cultural que protestam contra o governo do presidente em exercício Michel Temer (PMDB).

 

A área externa do palácio, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sob os pilotis, ficou lotada durante as apresentações de dois dos mais importantes compositores da história da música brasileira.

“Quem não valoriza a cultura deste país não tem intimidade com a identidade brasileira”, afirmou Erasmo no início do show. “O Ministério (da Cultura) é meu, é seu, é nosso”, emendou o Tremendão, que interpretou sozinho as duas primeiras músicas.

Em seguida, chamou Caetano ao palco. Juntos, interpretaram “De Noite na Cama”, composta pelo baiano e sucesso de Erasmo no início dos anos 70 do século passado. Seguiram-se mais de dez músicas. Ao fim de cada uma, o público entoava, por alguns segundos, coros contra Temer.

Quando Caetano cantou “A Luz de Tieta”, de sua autoria, o público adaptou a letra: “Eta, eta, eta, o Eduardo Cunha tentou controlar minha b...”. Ao final, Caetano elogiou: “Que beleza essa criação espontânea!”.

A música só foi interrompida para discursos dos deputados federal Jean Wyllys e estadual Marcelo Freixo, ambos do PSOL. Eles criticaram a extinção do Ministério da Cultura e a postura da imprensa.

Antes dos shows de Erasmo e Caetano houve apresentações de músicos, encenações teatrais e discursos. O senador Lindbergh Farias (PT) e os deputados federais Wadih Damous (PT) e Jandira Feghali (PCdoB) defenderam a ocupação do Palácio e criticaram o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

O diretor teatral Ivan Sugahara, um dos líderes da ocupação do Palácio Capanema, conclamou o público a pressionar os senadores para votar contra o impeachment ao final do processo. Ele citou os dois senadores eleitos pelo Rio que já se manifestaram a favor do impeachment, Romário (PSB) e Marcelo Crivella (PRB), que foram alvo de intensa vaia.

“Os golpistas estão armando uma reunião para tentar legitimar as medidas na Cultura, mas nós não negociamos, não aceitamos nada que venha desse governo golpista”, afirmou, também em discurso, o ator Bemvindo Siqueira.

A programação musical seguiria até além das 3h de hoje, com shows programados de Seu Jorge, Teresa Cristina, Pretinho da Serrinha, Chico Chico (filho de Cássia Eller), do conjunto Noites do Norte e do bloco Me Beija que eu sou Cineasta, entre outras atrações.

Desde o início da ocupação, artistas nacionalmente famosos já se apresentaram no Palácio: na quarta, Otto, Arnaldo Antunes e o grupo Digital Dubs; anteontem, Lenine, Frejat, Leoni e Pedro Luis. Espetáculos de teatro, sessões de cinema e debates também têm sido promovidos diariamente no local.

 

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