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Caê Rolfsen mescla música pop e camerística em novo CD

Disco é inspirado em São Paulo e em trilhas de cinema - cantor o define como um 'curta-canção'

Lauro Lisboa Garcia - O Estado de S. Paulo,

21 de agosto de 2012 | 19h52

O caos paulistano - de ar fuliginoso, personagens pitorescos e seus dramas recorrentes - ainda serve de matéria-prima para inúmeros cronistas e contistas musicais daqui e de fora. Desse manancial mutante, vem beber agora, com olhar peculiar sobre a cidade, a partir de sua chegada em 2001, o paulista de Araraquara Caê Rolfsen. Inspirado em trilhas de cinema do franco-argelino Tony Gatlif e do japonês Shin-ichiro Ikebe, que compôs para filmes de Akira Kurosawa, e aproximando a música popular da camerística, o compositor, cantor e arranjador lança o primeiro álbum solo, Estação Sé, com show na quinta-feira, 23, no Sesc Pompeia.

Sozinho ou com os parceiros Manu Maltez, Lique, Fábio Barros e Celso Viáfora, um de seus maiores incentivadores, de quem também canta Que Nem a Gente, Caê cria pequenos filmes em forma de canção. "Por frequentar bastante cinema, guardo diversas imagens, cenas e diálogos, que vão ficando na cabeça e quando estou compondo todos esses recortes se misturam, sem fronteiras entre as artes. Música e filme às vezes viram uma coisa só como se fosse mágica. Daí talvez o resultado de um curta-canção como Estação Sé, que nem eu sei direito o que seria: canção, trilha, vinheta", diz o compositor.

As letras, flagrantes urbanos, falam de amor, solidão e ilusão, onde "todo mundo é igual mas diferente" e "o amor vira fumaça". "São Paulo é uma cidade difícil de se viver, ainda mais pra quem vem de fora daqui. Creio que, assim como eu, a maioria das pessoas tem oscilações de sofrimento e êxtase em seu dia a dia paulistano", diz Caê. "Esse caos exterior conduz essa introspecção desses personagens urbanos. Assim a cidade também vira um interlocutor dessa solidão, que ela mesma produz e redime, com suas novas possibilidades de encontros e efervescência cultural, virando ela mesma a personagem de muitas canções, como na poética de Tom Zé, Sérgio Sampaio e Chico Buarque. Ou mais recentemente, em Manu Maltez e Rodrigo Campos, que considero grandes letristas da minha geração que retratam a cidade."

A música de Caê é tão diversificada quanto o universo que ele "filma". Premiado por seu trabalho com a Gafieira São Paulo, ele tem um pé no samba (influência de Dona Ivone Lara e Wilson Moreira), com toda a "dolência afro-brasileira que eles carregam", e também ecos de Bob Marley, Chico Buarque, Tom Jobim, Paulinho da Viola, a música do Recôncavo Baiano (o CD tem chula e ijexá, como Linda), do Norte-Nordeste do País (No Tambor de Crioula, xote, carimbó) e da cultura afro-latino-americana, fruto de seus estudos, andanças e encontros com músicos de toda parte.

"Por eu transitar desde muito cedo entre o rock pesado, o samba e o reggae, minha música sempre se manifestou de maneira diversificada e aberta a experimentação de novos instrumentos e gêneros", diz. "Minha linguagem como compositor sempre esteve ligada ao violão, que é meu primeiro instrumento. Gilberto Gil, Roberto Mendes e Vicente Barreto são referências desse violão sincopado alternando semicolcheias no polegar da mão direita, tentando imitar o ritmo da sanfona. Bebi muito dessa fonte do violão nordestino, então naturalmente o cancioneiro desses autores influenciou minhas composições."

Como os refinados arranjos camerísticos do disco nem sempre são possíveis de levar ao palco, no show Caê vai usar alguns samples disparados pelo percussionista Bruno Prado. Ele - que toca violão, guitarra e ronroco - canta acompanhado por Pedro Ito (bateria), Fábio Sá (baixo), Zé Godoy (pianos Rhodes e Hammond) e Conrado Goys (guitarra). Participam ainda Micaela Marcordes (violino), Leandra Velasquez (cello), Sidmar Vieira( trompete e flugelhorn) e Jaziel Gomes (trombone).

CAÊ ROLFSEN

Choperia do Sesc Pompeia.

Rua Clélia, 93, 3871-7700.

Quinta-feira, 23, 21h30. R$ 4 a R$ 16.

 
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