'Caderno 2' corrige erro em 'Antologia Pessoal com Ed Motta'

Por uma falha técnica, as respostas publicadas no 'Cultura' de domingo, 15, foram trocadas; leia a íntegra

Da Redação,

16 de fevereiro de 2009 | 18h45

Cantor, compositor, arranjador e produtor reconhecido internacionalmente, Ed Motta despontou na cena carioca nos anos 80. Seu disco de estreia, Conexão Japeri (1988), traz sucessos que o acompanham até hoje, como Manuel, Vamos Dançar e Um Love. Seu disco mais recente, Chapter 9, gravado em inglês, é o 13.° de sua carreira. Ed é o convidado do Sala do Professor Buchanan's, na terça-feira (17.02), às 20h, no Bourbon Street, com transmissão ao vivo pela Rádio Eldorado FM, quando apresenta músicas do novo álbum e antigos sucessos. No palco do Bourbon, Ed Motta ainda vai ser "professor" para cinco músicos do CLAM, instituição de ensino musical do Zimbo Trio, integrantes do Projeto Buchanan's Forever, que a partir de agora passam a acompanhar mensalmente as aulas-show da série. Em junho, os músicos apresentam-se no palco da casa de shows.   Qual disco ou música mudou sua maneira de ver o mundo? Minha relação com a música é uma ode ao abstracionismo; o cinema, por ser uma arte mais pragmática e literal, talvez tenha interferido mais no meu psicológico.   Que artista mais influenciou sua carreira? A dupla norte-americana Steely Dan, comecei a escutar jazz e estudar harmonia por conta da fusão brilhante que eles sempre fizeram. A voz de Donny Hathaway também foi um divisor de águas na minha formação.   Que obra (CD, composição) você detestou à primeira vista e passou a venerar depois? Eu não gostava de música brasileira quando adolescente, depois além de respeitar e admirar ainda torro meu dinheiro em discos raros brasileiros.   Qual disco ruim você adora ouvir, mas tem vergonha de dizer que gosta? Se eu gosto não acho ruim, quando moleque com a turma que colecionava discos de rock eu tinha essas bobagens, mas isso já foi curado. Minha vitrola toca de Barry Manilow à Stravinski não tem protocolo "in" ou "out".   Qual disco ou artista que você não acha tão bom, mas que todo mundo acha? Pat Metheny, chato pacas, dá diabete... Óbvio que é um músico competente, não é o guitarrista do White Stripes que o coitado do crítico com ouvido infantil vai endeusar, mas acho chato. Já o Pat Martino eu adoro, um gênio, mas o Metheny... Tem um turbilhão de guitarristas que tocam na onda dele, é um exército da chatice, as frases, os temas, o timbre terrível...   Qual disco você comprou levado pela opinião alheia e odiou? Um leonino nunca se leva pela opinião alheia, mas nunca mesmo. Eu não compro, não conheço e não quero conhecer nada de música depois dos anos 80; se eu ganho um cd do The Strokes, Radiohead, essa turma de hoje, eu dou de presente para alguém que eu não tenha intimidade. Sim porque jamais daria de presente para amigos queridos algo que eu não goste ou acredite.   Que música de outro você gostaria de ter composto? Milhares. Time On My Hand, do Vincent Youmans;The Thing We Did Last Summer, do Jule Styne; A Boy Like That, do Leonard Bernstein; Amour Amour, do Michel Legrand; Luiza, do Jobim; Alfie, do Burt Bacharach; Ilusão à Toa, do Johnny Alf; Lush Life, do Billy Strayhorn; Darn That Dream, do Jimmy Van Heusen; Harlem Nocturne, do Earle Hagen; Repetition, do Neal Hefti; a lista é gigante. Queria ter composto a sinfonia para instrumentos de sopro do Stravinsky ou a 2ª sinfonia de Scriabin, a 2ª e 3ª sinfonia do Honegger. Muitos temas de Wayne Shorter, Horace Silver, Charles Mingus, Benny Golson,Woody Shaw, Carla Bley, Stephen Sondheim e vai embora...   Qual disco de sucesso deixa você com inveja por não tê-lo feito? Todos do Steely Dan, são perfeitos e ainda venderam razoavelmente mundo afora. Mas o que faz muito sucesso é sempre intelectualmente menos interessante, não tenho inveja da Madonna, eu queria era saber de música como Coltrane.   Qual clássico da MPB você acha que não merece esse título? Que perigo de pergunta (risos)   Qual canção considerada clássica mereceria uma letra melhor? Sem letra todas as músicas ficariam melhores, não escuto letra de música em momento algum, eu me emociono com o texto no cinema, os diálogos, a palavra poética não me diz nada, acho um clichê da inteligência e da pseudo-sensibilidade humana.   Qual disco você acreditou que seria ótimo e frustrou suas expectativas? Ótimo comercialmente? Eu só tiro do forno o que eu considero excepcional, a clientela pode não gostar do prato, mas no meu restaurante só o cozinheiro tem razão (risos).   Qual disco fez você passar uma noite em claro analisando o que tinha ouvido? Quando conheci a música do Guinga foi um transe, o disco Delírio Carioca.   Qual você nunca deixa de ouvir? Por quê? Physical Graffitti, do Led Zeppelin, e Blow By Blow, do Jeff Beck, minhas melhores memórias da infância.   Você é mais Caetano Veloso ou Chico Buarque? Maria Bethânia ou Gal Costa? Por quê? Gosto e respeito muito os quatro, mas nos últimos anos o compositor consagrado da MPB que mais escuto é Milton Nascimento, os discos dos anos 70. A atmosfera Coltraneana da música dele é espiritual, grande artista o Milton.   De qual compositor(a), grupo ou cantor(a) você tem todos os discos? Muitos, numa coleção de 30 mil vinis. Muitas coleções completas de jazz, rock, soul, reggae, música do mundo todo. Do Brasil tenho completo tudo de Hermeto Paschoal, Edu Lobo, Chico Buarque, João Donato, Johnny Alf, Moacir Santos etc. O artista que eu mais tenho material é Ennio Morricone, tenho mais de 100 trilhas dele em vinil.   Qual unanimidade da MPB sobre a qual você não tem o menor interesse? Que perigo de pergunta (risos)   Qual a melhor e a pior regravação de um clássico da MPB? Sempre prefiro a versão original e de preferência pilotada pelo compositor; fujo de regravações.   Aponte um disco que considera um clássico instantâneo. E outro, lançado nos últimos dez anos, que está entre os melhores de todos os tempos. Não saiu ainda o disco, mas a Orkestra Rumpilezz liderada pelo genial compositor e arranjador baiano Letiéres Leite é uma salvação no mar de mediocridade na música mundial. Moacir Santos Coisas é um clássico imediato.   Qual artista ou banda badalada pela crítica que você considera inferior? Eu teria que fazer um catálogo, tem gente a rodo.   Qual foi o show que mais marcou sua vida? Randy Weston, um Azymuth nos anos 80, Paul McCartney no Maracanã, Miles Davis no Canecão. A melhor voz que eu já escutei ao vivo foi a do cantor e pianista Andy Bey num festival na Holanda. Mas prefiro escutar discos a ver shows.   De qual cantor(a) ou grupo brasileiro você jamais compraria um disco? Que perigo de pergunta (risos)   Quem você acha que jamais deveria ter gravado um disco? Todas essas bandinhas no mundo inteiro no clima todos de camisa xadrez, cueca aparecendo, cabelinho ensebado, tatuagem oriental e instrumentos antigos.   Qual a pior música de todos os tempos? E o pior disco de MPB? Pergunta difícil, música ruim é igual mosquito: aparece do nada e aos montes.   Qual artista, na sua opinião, começou mal a carreira discográfica e depois deslanchou? Não consigo me lembrar de um caso assim, a situação contrária é mais corrente.   Qual cantor(a) é melhor do que os discos que grava? Rod Stewart, Stevie Winwood, Anita Baker, a lista é grande...   Qual compositor de talento não deveria gravar as próprias canções? Essa situação não existe pra mim, escuto muito pouco artistas que não compõem, mesmo no jazz gosto mais dos que têm algo a dizer do que os que reinterpretam os clássicos. O compositor Billy Strayhorn tocava piano maravilhosamente, mas cantava bastante mal, a versão dele para o clássico Lush Life não é muito feliz; a Sarah Vaughn imortalizou o tema, mas isso é raro na minha opinião.   Qual o erro mais constante - e que jamais cometeu ou cometeria - em discos de artistas que você gosta? Ter um produtor, que é o sujeito que ajuda os menos talentosos e oprime a favor das vendas os que sabem o querem. O produtor muitas vezes é uma grife que ajuda a vender o disco e também, para os que não gostam de estúdio, uma muleta. Já cometi e posso cometer de novo se faltar comida na minha casa, nunca se sabe...   Que músico você admira por combinar atitude e qualidade artística? Hermeto Paschoal, Charles Mingus, Ornette Coleman, Sun Ra, Pharoah Sanders, Frank Zappa, Sam Rivers, David Bowie, Scott Walker etc.   Qual bom disco mal gravado que mereceria ser refeito hoje pelo artista original? Eu fico estático perante o ineditismo da obra inicial, releituras são boas para conta bancária, mas artisticamente menores.

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