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Burt Bacharach, o maior hitmaker vivo, faz show em SP

Suas canções foram gravadas por nomes como Manic Street Preachers ('Raindrops Keep Fallin on My Head')

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

14 de abril de 2009 | 16h50

Ele acaba de gravar um disco novo na Inglaterra com emergentes do pop, como a cantora Duffy, o pianista Jamie Cullum, a banda Kings of Leon, entre outros. Suas canções foram gravadas pelos mais celebrados grupos de rock, como White Stripes (I Just Don't Know What to Do With Myself), Manic Street Preachers (Raindrops Keep Fallin on My Head) e Noel Gallagher (This Guy's in Love With You).

 

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Está na capa do grande disco do Oasis, Definitely Maybe, de 1994. Sabe aquela cena do filme da série Austin Powers em que o agente secreto de araque e sua namorada andam de limusine pelas ruas de Las Vegas e tem um pianista tocando em cima do carro em movimento? Era ele. E olha que ele vai fazer 81 anos no dia 12 de maio.

 

Burt Bacharach (pronuncia-se Bákarak, e não Bakará), compositor, cantor, pianista, é a grande lenda melódica do pop mundial, o maior hitmaker vivo. Faz todo mundo assobiar suas canções há pelo menos 5 décadas. Há 30 anos não vinha a São Paulo (esteve no Rio há uns 10 anos). Agora, volta para tocar, nos nesta quarta, 15, e quinta, 16, no HSBC Brasil (R. Bragança Paulista, 1.281). Ingressos pelo tel. 4003-1212.

 

"Tem dois artistas com os quais gostaria de ter gravado durante minha carreira, e não gravei: Isaac Hayes e Barry White. Agora eles estão mortos, é muito tarde", lamenta-se Bacharach ao telefone, falando ao Estado  de sua casa de US$ 8 milhões em Pacific Palisades, subúrbio de Los Angeles. A voz está rouca e distante, como se saísse de uma frequência AM de rádio.

 

O mundo do rock, de Oasis a Stereophonics, todo mundo grava suas músicas.

 

É um grande elogio para mim quando eles descobrem minha música por si mesmos, sem ser uma promoção da gravadora. White Stripes, por exemplo: alguém da banda ligou, pediu permissão e fez a própria versão, que é fantástica. Todas as versões cover de minhas canções eu gosto. Acabo de gravar um disco com artistas ingleses jovens, como a cantora Duffy.

 

O sr. sempre fala que tem influência da música brasileira. Quais discos de música brasileira foram decisivos? Sérgio Mendes foi um deles?

 

O nome das pessoas que foram influentes para mim não é importante. Mas há muito de Ivan Lins nos meus discos. Eu o encontrei em Santa Monica, e nós conversamos, é uma pessoa muito agradável. E também Milton Nascimento, Djavan. Ouvi Milton e Djavan porque sua música é incrível, fresca e a língua, que eu não entendo, é maravilhosa, sensual, sexual. A única vez que eu não gostei foi quando Ivan Lins fez um disco com Quincy Jones, e as canções todas foram vertidas para o inglês, e não funcionou muito bem. Quer dizer: canções como Quiet Nights, sim, funcionaram legal. Prefiro muito mais quando ele canta em português, é tão sensual, romântico. Você esquece dos problemas do mundo.

 

O pianista McCoy Tyner disse que o sr. faz músicas muito sofisticadas com acordes e arranjos simples. Essa tem sido sua ambição?

 

Eu adoro ele. Bem, não faço intencionalmente. Faço as melodias, e não acho que as harmonias sejam simples. Nada é feito de propósito, é só o jeito que eu sinto, é como eu sou, muito econômico e esparso quando faço a orquestração. O propósito é "menos é melhor", então quando as cordas entram, têm de servir a um objetivo, não é apenas para encher de elementos.

 

O sr. chegou a namorar Marlene Dietrich, como dizem?

 

Nunca. Fui diretor musical dela, regi para ela quando esteve na América do Sul. Não misturo música e amor. Bom, fiz isso uma vez, com Carole Bayer Sager, com quem compus grandes canções. Mas é duro fazer as duas coisas ao mesmo tempo (entre 1956 e 1958, Bacharach trabalhou com Dietrich, e foi nessa época que compôs seu primeiro hit, A Bolha). Estou casado com Jane, que é "civil", há 20 anos. Ela era a minha instrutora substituta de esqui. Ela não é cantora, não é atriz. A vida é boa. Gosto da minha vida como ela é agora, temos dois filhos maravilhosos.

 

Ao longo da sua carreira, o sr. teve muitos parceiros, como Dionne Warwick, Elvis Costello. O sr. teve desejo de fazer uma parceria com alguém que não conseguiu realizar?

 

Tem alguns caras. Sempre tive muita vontade de gravar com Luther Vandross. E Isaac Hayes, é triste que tenha morrido, não será mais possível. E Barry White, adoro os discos dele. Agora estão mortos, é muito tarde. Gostaria de gravar de novo com Elvis Costello.

 

Muitos dizem que, no fundo, o sr. é um jazzista.

 

Não sou um músico de jazz. Amo o jazz: minhas influências foram Dizzy Gillespie, Thelonious Monk, Charlie Parker, essas pessoas. O jazz influenciou minha vida e tem um papel na minha formação. Eu sou simplesmente um compositor. Um músico que tem a pretensão de poder fazer muitas coisas diferentes, desde acompanhar uma cantora como Marlene Dietrich até compor para um musical da Broadway.

 

Nos anos 70, tinha-se a impressão de que, girando o dial do rádio, o sr. estava em todas as estações. O que acha da nova circunstância da indústria musical hoje?

 

Está tudo de ponta-cabeça. As companhias de disco não sabem o que fazer. As lojas de discos estão sendo mortas pelo downloading. Não há solução, eu não sei para onde aponta o futuro. A música é de graça na internet. Há algumas ideias surgindo. O Radiohead colocou seu disco na internet e disse: você pode comprar ou pode pegar. Pode pagar US$ 15 dólares ou US$ 0,5. Nos bons dias, você tinha estações de rádio independentes, em Detroit, New Orleans. Agora todas têm a mesma lista de músicas.

 

Burt Bacharach - Dois únicos shows na quarta, 15, e quinta, 16, no HSBC Brasil  - R. Bragança Paulista, 1.281. 21h30. R$ 150/R$ 400. Ingressos pelo tel. 4003-1212.

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