Buena Vista Social Club se renova com jovens talentos cubanos

Alguns de seus astros morreram, depoisde ganhar fama internacional na velhice, mas, para a bandacubana Buena Vista Social Club, um ícone do país, o show devecontinuar, e por isso ela vem buscando novos talentos paralevar suas turnês adiante. A banda de 13 músicos viaja para a Grã-Bretanha na próximasemana para fazer 32 concertos, incluindo em Londres, Liverpoole Edimburgo. Orlando "Cachaito" Lopez tocará o baixo novamente e Manuel"Guajiro" Mirabal estará no trompete. Os sobreviventes dagravação original premiada com o Grammy em 1997, que deu fama àbanda, estão na casa dos 70 anos. O acréscimo jovem à banda é a vocalista Idania Valdés, 2de6 anos, que começou como cantora do coro do Buena Vista seisanos atrás e tocou teclado numa banda ligada ao grupo, dofalecido Ibrahim Ferrer. Barbarito Torres, de 52 anos, que toca alaúde, e opercussionista Amadito Valdés, de 62, ainda são presençasregulares na banda e farão parte da turnê. "Os nomes mais famosos do projeto Buena Vista já morreram,mas a banda virou marca registrada da música cubana", disseValdés, criador de um estilo único de tocar timbales, oinstrumento cubano celebrizado pelo porto-riquenho TitoPuentes. Desde a morte do cantor e líder do Buena Vista, CompaySegundo, aos 95 anos, em 2003, outros três integrantes daformação original do grupo faleceram: o pianista RubenGonzález, o cantor Ibrahim Ferrer e o vocalista e compositorPio Leyva. Outros membros seguiram caminhos próprios. É o caso doguitarrista Eliades Ochoa, que todos os anos faz uma turnê naEuropa com banda própria, e da diva Omara Portuondo, que cantoupela última vez com os membros originais do Buena Vista noMéxico, em 2006. Portuondo está realizando até 10 de maio uma turnê peloBrasil com a cantora Maria Betânia e depois irá à Argentina eao Chile. Ela também vai cantar na casa de espetáculos KenwoodHouse, em Hampstead Heath, Londres, em julho, com bandaprópria. Muitos dos músicos já estavam aposentados quando foramconvocados para uma legendária sessão de gravação em março de1997 produzida em Havana pelo guitarrista americano Ry Cooder,embora a idéia tenha sido do britânico Nick Gold, dono de umselo de world music. Os números de mambo, chá-chá-chá e bolero que eles tocaramsuscitaram nostalgia pela era de ouro da música cubana,espelhada nos velhos edifícios decrépitos e nos automóveisamericanos antigos que ainda circulam por Havana. O disco do Buena Vista vendeu 1 milhão de cópias em um anoe alcançou públicos novos graças ao documentário feito doisanos mais tarde pelo cineasta alemão Wim Wenders. Sete milhõesde cópias foram vendidas até hoje, fazendo dele o disco deworld music mais vendido de todos os tempos. Por causa da Guerra Fria, a música cubana tinha sedistanciado de seu mercado natural nos EUA. A gravação premiadacom o Grammy reconquistou o público norte-americano e capturounovos ouvintes em lugares tão distantes quando a Islândia e aNova Zelândia, contou Valdés. "O disco quebrou todos os recordes de vendas de músicacubana, tornando-se uma das marcas registradas de Cuba", disseValdés. O fundador cubano do Buena Vista, Juan de Marcos González,que reuniu a formação original, continua a promover músicos pormeio de sua banda, a Afro-Cuban All Stars.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.