Buena Vista, cooperativa musical e de carisma

Com ares de grandes estrelas internacionais, o que de fato são, Ibrahim Ferrer, Omara Portuondo e Rubem González, integrantes do Buena Vista Social Club, conversaram com a imprensa brasileira na tarde desta quarta-feira. Estiveram acompanhados na mesa pelos integrantes da banda: o trompetista Luis ?Guajiro? Mirabal, o baixista Cachaito López e o maestro Demétrio Muniz. A cooperativa musical Buena Vista, assim chama a banda Ferrer, que nas gravações do álbum chegou a reunir em estúdio até 50 músicos, toca apenas nesta quinta-feira, na Via Funchal, em São Paulo. Rubem González esteve apenas na sessão de fotos. Seus passos curtos e cambaleantes não escondem ser ele um músico de 81 anos. Entretanto, o sorriso revela um artista em paz com a vida e forte o suficiente para protagonizar um dos grandes eventos do show business neste final de século. Quanto a Ferrer, Omara, Mirabal, López e Muniz, os cabelos engomados, o sorriso onipresente, revelam que este período de constante contato com o público lhes faz muito bem. Esta, uma opinião comum aos artistas.Política Não ? Antes de iniciar o bate-papo anunciaram que perguntas sobre política estavam proibidas. O motivo, alegaram, é que na mesa estavam presentes músicos. As leis de bom comportamento dizem que o único assunto da alçada dos músicos é a música. Por isso, nada de perguntas sobre Fidel, sucessão presidencial, ou sobre para onde vai o dinheiro acumulado pelos artistas. Assim foi.A organização fez questão de afirmar que pretendia realizar uma turnê maior. Fato que não ocorreu pois a agenda do Buena Vista Social Club está cheia. No entanto, não descartam a possibilidade de voltar ao Brasil no primeiro semestre do ano que vem. Omara, que citou a figura de Iemanjá como ponto de convergência das culturas brasileira e cubana, sonha em tocar em Salvador. Se respeitado o slogan que carregam ao redor do planeta, ?Nós acreditamos em sonhos?, logo eles estarão de volta.Samba ? Ferrer contou que em sua infância costumava assistir a filmes brasileiros. Citou Carmem Miranda. E na seqüência disse: ?Vou levar alguns discos para aprender a cantar alguns sambas e incluir em meu repertório?. Omara defendeu que o ?fenômeno? Buena Vista Social Club ocorreu no passado, com a Bossa Nova. Na época, lembrou-se, a música brasileira tocava no mundo todo. ?Foi assim que conheci a música de vocês?. Perguntada se o Buena Vista estava imortalizando a música cubana, respondeu: ?Nós já a imortalizamos com nossas carreiras?. Para o maestro Muniz, responsável pela gravação do 2º disco do conjunto, alguns nomes são referência para sua carreira. Entre eles, Gal Costa, Djavan e Caetano Veloso. Sobre o sucesso do Buena Vista em todo o mundo, comentou: ?O que fazemos é música tradicional cubana com um recorte mais jovem. A música produzida no Brasil e em Cuba tornou-se cada vez mais complexa nesta segunda metade do século. O que nós fizemos foi recuperar a transparência de outrora?. Portas Abertas ? Segundo os empresários dos cubanos, hoje são 12, 7 mil músicos registrados na Ilha de Fidel. No ano passado 90 conjuntos do país fizeram turnês internacionais. Omara acredita que o sucesso do Buena Vista facilitou o caminho desses outros artistas. Muniz, no entanto, ressaltou: ?Nem todos saem com a mesma empresa, o mesmo empresário, a mesma publicidade?. Brincalhão, de todos o mais carismático, Ferrer disse que nunca se esquecerá da sensação de estar ao lado do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Também declarou-se apaixonado pelo idioma falado no Brasil. ?Gostei muito dos homens, mas peço desculpa a eles, porque quando ouço uma mulher brasileira falando me dá uma coisa atrás da orelha...?, comentou, provocando sorrisos entre os presentes. Reiterou essa opinião diversas vezes.

Agencia Estado,

29 de novembro de 2000 | 00h23

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