J.F. Diório/Estadão
J.F. Diório/Estadão

Buddy Guy leva euforia circense ao Best of Blues

Além do norte-americano, a sérvia Anna Poppovic foi um dos destaques do festival

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

12 de maio de 2014 | 03h00

Buddy Guy era a estrela indiscutível da noite de sexta, 9, a primeira do Best of Blues Festival. Chegou sorrindo em camisa preta de bolinhas brancas e logo mostrou que seus 77 anos continuam com espírito de 30. Buddy, a partir das 23h30, começou sua festa blues com os hits do gênero. Sem se importar em mostrar músicos de discos mais novos, quer sempre a diversão. E quando toca no Brasil, algo que tem feito todos os anos, parece querê-la em dobro, Hoochie Coochie Man é logo a segunda música, e é quando são expostas características que podem dividir opiniões de quem só quer ouvir uma música até o fim, com toda a explosão que Buddy Guy pode ter.

Guy sempre será Guy e não precisa provar sua habilidade a mais ninguém. Clapton, ninguém esquece, já disse ser ele o maior guitarrista de blues vivo. Mas sua euforia muitas vezes o faz perder o próprio blues de vista. São tantas artimanhas (raspar a guitarra no corpo, tocar com os dentes, tocar com as nádegas, descer à plateia música sim, música não) que a fluência de seus solos e a dinâmica de seus shows desaparecem. A plateia que quer festa sempre irá vibrar. Mas os que querem música podem se frustrar.

Antes de Guy, que terminou o show apresentando o filho guitarrista Greg e a filha cantora Carlise, a noite teve a guitarrista Anna Popovic, uma esperança de renovação nascida na Sérvia. Anna vem em um vestido justo e curto, com salto agulha de 10 centímetros, e, o mais importante, tocando uma guitarra de vigor incrível. Tem a bênção do próprio Buddy Guy, apesar de não estar com o vocal em dia, provavelmente prejudicado por um forte resfriado.

Jonny Lang, que veio depois, é um grande guitarrista de direcionamento equivocado. Começou fazendo blues até decidir virar popstar. Hoje, não é nem uma coisa nem outra. Ficou no meio do caminho e seu repertório sente o baque. Uma pena, já que Lang sabe bem o que fazer quando tem uma guitarra nas mãos.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.