Bruckner em noite memorável

Na última semana, OSB soou como um órgão monumental e Antonio Meneses demonstrou plena maturidade

João Marcos Coelho - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2013 | 21h26

Roberto Minczuk conhece bem a Sala São Paulo, e beneficiou-se disso de modo espetacular, construindo uma interpretação memorável da Sinfonia n.º 4 de Bruckner. Deste organista de profissão já se repetiu muitas vezes que suas sinfonias são imensas catedrais sonoras. O lugar-comum virou realidade no concerto do último domingo, 13, da Orquestra Sinfônica Brasileira. Minczuk fez uma “escada” das placas móveis e mudou a acústica da Sala. Elas desceram sobre o palco, transformando-o num altar; a plateia virou átrio de imenso pé direito, como numa catedral, porque as placas subiram em degraus subsequentes até o último par deixando à mostra o teto.

A orquestra soava como um monumental órgão. Dava para seguir o halo dos tuttis fortíssimos “caminhando” até o fundo da Sala, numa imensa reverberação. Infelizmente, uma experiência única que só foi vivenciada pelos afortunados que lotaram a Sala naquele dia. A OSB está em ótima fase. Os metais, bastante exigidos, foram bem; nas cordas, às vezes, nota-se certo descompasso (pequeno, é verdade, mas existente).

Na primeira parte, o destaque ficou com Antonio Meneses solando o concerto para violoncelo de Edward Elgar. É gratificante compartilhar sua plena maturidade. Envolvente no Adagio inicial construído como uma canção e preciso no Moderato, Antonio tirou de letra as dificuldades técnicas de um concerto que explora praticamente todos os recursos do instrumento no vertiginoso Allegro molto.

Único senão: na abertura, Minczuk falou de Antonio, que começou tocando na OSB ainda adolescente, e das catedrais sonoras de Bruckner. Mas nem uma palavra sobre a pequena peça Silouans Song: My Soul Yearns after the Lord, do estoniano Arvo Pärt, de 78 anos – o único a merecer comentários. A simplicidade franciscana da obra, como diria Don Bergoglio, Papa Francisco, precisa ser explicada. Pärt é um místico. Caso contrário, soa como exercício de estudante medíocre.

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