Tatiana Constant/Estadão
Tatiana Constant/Estadão

Bruce Dickinson, do Iron Maiden, faz palestras para falar de sua vida antes de iniciar nova turnê

Vocalista completará 64 anos e tem de se aposentar de uma de suas paixões: pilotar o Boeing 747 da banda pelo mundo

John Carucci, AP

31 de janeiro de 2022 | 20h00

O vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson, usou muitos chapéus e até mesmo “algumas calças incrivelmente ridículas”, como ele diz. Estrela do rock, piloto de avião e sobrevivente de câncer são algumas das coisas que o definiram. Agora ele é um performer de palestras.

Seguindo os passos de Henry Rollins, outro astro do rock que virou artista performático, Dickinson está prestes a retomar sua turnê de palestras nos Estados Unidos. No palco, ele fala sobre sua vida, sendo uma estrela do rock e uma série de outros tópicos, incluindo sua luta contra o câncer de garganta, diagnosticado em estágio inicial em fevereiro de 2015. Em maio do mesmo ano, o cantor anunciou que estava curado.

Então, após uma pequena pausa, ele carregará o avião do Iron Maiden – um Boeing 747 chamado “Ed Force One”, em homenagem ao icônico mascote demoníaco da banda, Eddie – e embarcará em uma turnê mundial tocando em festivais, arenas e estádios. A banda passa pelo Brasil em 2 de setembro, no Rock in Rio, onde será headliner na primeira noite do festival – a abertura contará com os solos do Sepultura em uma dobradinha com a Orquestra Sinfônica Brasileira, no show intitulado Sepultura in Concert. O espaço traz ainda todo o metal progressivo do Dream Theater e o thrash do Megadeth.

Recentemente, o roqueiro de 63 anos e piloto de avião comercial licenciado falou com a Associated Press sobre a alegria de mudar de marcha com performances de palestras, sua base de fãs e se ele vai pilotar o avião da banda, como fez em outras turnês do Iron Maiden no passado.

Como são suas palestras?

Não há script, por assim dizer, ou qualquer outra coisa parecida. Uso algumas imagens e começo a contar histórias em torno de cada foto. Então, aproveito para falar sobre como aprendi a cantar, como não me tornei um baterista e como acabei vestindo as calças mais ridículas do mundo no palco com o Iron Maiden. É algo do tipo “Como isso aconteceu?”.

É como um stand-up?

Uso algumas técnicas de stand-up, um pouco de comédia física, impressões de pessoas, coisas assim. Mas esse não é meu principal modus operandi. Como artista, quero usar todos os pequenos truques que puder para dar às pessoas uma noite divertida e não perder de vista o trabalho do dia para o qual vou voltar em maio e que vai me manter ocupado até o Natal.

Você fala sobre assuntos realmente pessoais?

Faço todo mundo rir sobre o câncer. Porque o câncer é um grande tabu. Então isso não me torna especial, mas o que tento trazer é minha visão individual. Você sabe, cerca de 50% de nós temos a chance de ter esse problema ao longo da vida e ficamos com medo disso. A própria palavra nos deixa em parafuso, como você sabe. E, claro, tive minha luta contra o câncer de garganta, como milhares de homens no mundo têm todas as semanas. “Como você lida com isso?” Bem, eu não sei como você lida com isso, mas aqui está como eu lido com isso.

E quão intenso é possível que isso fique?

Pode ficar bastante literal e bastante gráfico quando faço algumas descrições de coisas muito, muito embaraçosas quando se está sob tratamento de câncer. Então, sim, você faz as pessoas ficarem esperançosas sobre isso, com uma declaração positiva.

Algumas estrelas do rock conseguiram uma licença de piloto de avião, mas não consigo pensar em outra que voe para uma companhia aérea comercial, ou o Boeing 747 que a banda usa para turnê.

O que é mais interessante do que o Ed Force One é como diabos acabei sendo um piloto de avião em primeiro lugar, certo? E em segundo lugar, como você se torna um piloto de avião enquanto canta em uma banda de rock’n’roll? Tenho mais histórias malucas de companhias aéreas que de rock porque, acredite, os dias da companhia aérea eram muito mais rock’n’roll do que quando o Iron Maiden está no palco. Bem, fora do palco, melhor dizendo.

Aliás, por falar em turnê mundial, você estará pilotando Ed Force One novamente?

Ah, não, não. Estaremos voando e eu vou estar acomodado na parte de trás da aeronave. Hei, olhe, tenho 63 anos – faço 64 em agosto. Você sabe, quando se chega aos 65, se você é um piloto de avião, eles simplesmente te deixam para trás, certo? Então, estarei acomodado entre os passageiros – serei o motorista do banco de trás. 

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