Bratke interpreta Strauss no Municipal

A Burlesque, de Richard Strauss peça para piano e orquestra muito pouco executada no Brasil, é um dos principais destaques da apresentação de domingo no Teatro Municipal da Orquestra Experimental de Repertório que, regida por Jamil Maluf, recebe como convidado o pianista brasileiro radicado em Londres Marcelo Bratke. Complementa o programa da apresentação, também de Strauss, o poema sinfônio Till Eulenspiegel e dois grandes ícones da música sinfônica, o Bolero, de Ravel, e o Capricho Espanhol, de Rimski-Korsakov.Com um repertório que vai de Bach a Thelonious Monk, a trajetória de Bratke assemelha-se, de certa forma, com a da Experimental de Repertório, conhecida pela inventividade no repertório e pela abordagem diferenciada que dá a peças já consagradas por público e crítica especializada internacionais. Daí, segundo Jamil Maluf, a presença dele para interpretar a pouco executada Burlesque, composta por um jovem Strauss em 1885.Para o pianista - que está apresentando em todas as capitais do País o espetáculo Música para um Pequeno Planeta ao lado de percussionistas locais, em que conta a história da música brasileira nos cinco séculos de descobrimento -, Burlesque é uma peça muito rica, muito inspirada. "É uma grande obra de transição, que, num primeiro momento, parece uma colcha de retalhos: há influências da nova escola de Viena, de Liszt, de Mahler, da música popular", diz Bratke, que ressalta, no entanto, que tudo isso não quebra a unidade da obra. "Strauss consegue construir um conceito que amarra todas estas influências muito bem."Bratke também chama a atenção para o fato de que a peça foi muito criticada na época de sua estréia. "As pessoas não entendiam o porquê de uma peça tão complicada, tecnicamente incômoda, repleta de modulações." Para ele, é essencial compreender que se trata da obra de um jovem compositor. "A peça é cheia de adrenalina, energia, Strauss faz uma série de perguntas que ficam sem resposta."Para o pianista a dificuldade técnica pode explicar o porquê da peça ser tão pouco executada - só agora parece estar voltando ao repertório e uma gravação importante é a de Marta Argerich com Claudio Abbado. "Se o público quer sangue, é essa a obra ideal", brinca o pianista.Também de Strauss, a Experimental de Repertório vai interpretar o poema sinfônio Till Eulenspiegel, que, segundo Jamil Maluf, foi programada para que se desse seguimento à série de execuções de obras do compositor de O Cavaleiro da Rosa pela orquestra. "Strauss é fundamental porque ele pensa a orquestra individualmente, o que exige bastante de cada músico" diz o maestro.Orquestração - Na segunda parte, a orquestra interpreta Bolero, de Ravel, e Capricho Espanhol, de Rimski-Korsakov. "São dois grandes mestres da orquestração escrevendo sobre temas hispânicos", resume Maluf, para quem os dois compositores, assim como Strauss, exigem individualmente dos músicos. "Se há algum conceito por trás do concerto é esse."Interpretar duas das peças mais conhecidas do repertório sinfônico não incomoda Maluf, que afirma não ver popularidade como sinônimo de cansaço. "O Bolero, por exemplo, já toquei diversas vezes e é sempre diferente, sempre aparecem coisas novas que ressaltam o fato de que a peça traduz o grande refinamento de Ravel. É como um diamante confrontado com um feixe da luz: produz diversos coloridos. Se essas peças são ícones, é porque merecem, pois são geniais, inesgotáveis."Orquestra Experimental de Repertório. Domingo, às 17 horas. De R$ 5,00 a R$ 8,00. Teatro Municipal.Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, tel. 222-8698.

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