Brasília entra na rota dos grandes festivais

Fora do eixo Rio-São Paulo, são muitas as barreiras encontradas para se realizar um festival de música de grande porte. É o que garantem produtores musicais que atuam em outros Estados brasileiros. Salvo algumas capitais, como Porto Alegre e Recife, muitas regiões têm de se contentar em organizar eventos de modestas proporções. Em geral, a resistência parte de possíveis patrocinadores ou mesmo dos artistas internacionais, na hora da negociação. Se a cidade em questão não estiver na tradicional rota das grandes turnês ou festivais, o projeto apresentado acaba sendo encarado como um abacaxi em potencial.Claro que, vez por outra, alguns produtores quebram este tabu. Mas quem já passou por tal experiência adverte: há de se ter muita ousadia. Foi assim que Rafael Reisman, dono de uma produtora em Brasília, conseguiu estruturar um ambicioso evento, batizado de Brasília Music Festival (BMF). O festival, marcado para dias 25, 26 e 27 de setembro, já conta com a confirmação de atrações nacionais e internacionais. Nomes como Simply Red e Alanis Morissette puxam uma lista de peso, seguidos por bandas brasileiras como Charlie Brown Jr., Capital Inicial, Titãs, entre outros. Três outros nomes internacionais estão sendo negociados, mas Reisman prefere não adiantá-los. "Até final de junho, as atrações já estarão definidas", promete. "Com essa história da guerra do Iraque e da pneumonia atípica, acredito que as atenções dos artistas internacionais tenham se voltado mais para a América Latina."Ocupando o Autódromo Internacional de Brasília, o BMF terá ainda uma tenda eletrônica, por onde passarão 12 DJs, entre brasileiros e internacionais, e outro setor destinado para esportes radicais. O investimento total, entre cachês, infra-estrutura, divulgação e serviços, deve atingir os R$ 10 milhões. A produção executiva é assinada por César Castanho, produtor do Rock in Rio 3, entre outros megashows.Riscos - As dificuldades para atrair patrocinadores e apoiadores, segundo Reisman, foram muitas. Para viabilizar o projeto, ele teve de se arriscar. "A Alanis Morissette não queria negociar sem dinheiro e o Banco do Brasil não queria fechar sem o artista", conta. "Tive de penhorar minha vida para conseguir o dinheiro e desatar o nó." O evento conta ainda com o patrocínio do Grupo Paulo Octávio. De acordo com o produtor, outras empresas já manifestaram interesse. Empresas cujos nomes estão sendo mantidos no anonimato - pelo menos por enquanto. Reisman só adianta que se trata de empresa de telefonia celular, uma de cerveja e outra de refrigerante.Para ele, fica difícil entender como Brasília, capital do País, fique excluída do roteiro dos grandes festivais. Ele recorda que o último show internacional que desembarcou por lá foi do Sting, nos idos 1987. "Cerca de 90% da população de Brasília estão na faixa A e B, ela concentra o maior poder aquisitivo do País", diz. A expectativa é de que cerca de 120 mil pessoas de Goiânia, São Paulo, Belo Horizonte, Rio e de outras localidades, compareçam ao BMF. "Queremos trazer para Brasília R$ 60 milhões de reais em turismo, incluindo hotel, transporte e alimentação."

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