Brasileiros são destaque do Midem 2003

O Brasil é o país-tema da 37ªedição do Midem - Mercado Internacional de Edição Musical -, queterá início domingo, em Cannes, na França. O Midem é a maior emais importante feira internacional de negócios de música. Lálicenciam-se os direitos de edição e gravação de composições e ode reprodução de fonogramas. Participam do Midem 2003 cerca de400 empresas ligadas à produção musical.O ministro da Cultura, Gilberto Gil, estará presente àfesta de abertura em um show que será realizado às 21 horas (18horas, pelo fuso de Brasília), no Palais de Festivals, comparticipação de sete artistas brasileiros: Armandinho, YamandúCosta, Mácia Solomon, Roberto Menescal, os grupo Barbatuques,Cabruêra e Bossacucanova e a dupla Veiga e Salazar. O cantor ecompositor Tom Zé, que goza de prestígio na Europa, fará asvezes de mestre-de-cerimônias.Será o primeiro compromisso internacional do ministroGilberto Gil. "Eu já participei como artista por duas vezes esei da importância do Midem para a projeção internacional",disse. Gil foi convidado pelo advogado e compositorespecializado em direitos autorais José Carlos Costa Netto,diretor da gravadora independente Dabliú e fundador da BrasilMúsica & Artes (BM&A).A BM&A, criada há pouco mais de um ano, é a organizadorada participação brasileira no Midem. Congrega empresas queproduzem e distribuem música e artes cênicas, com objetivo deexportação. São parceiros da ida da delegação a AssociaçãoBrasileira de Música Independente (ABMI), o Bureau Brésil de laMusique Française e a Radio France Internacionale, quetransmitirá ao vivo, para o mundo inteiro, o show dos artistasbrasileiros.Domingo cedo, o ministro Gilberto Gil participará de umaconferência sobre a posição da música brasileira no mercadointernacional e o aumento da produção independente no País. Àmesa estarão ainda Costa Netto, Márcio Gonçalves (da AssociaçãoBrasileira dos Produtores de Discos - ABPD), Pena Schmidt (daABMI) e Bruno Boulay (do Bureau de la Music Française). À noite,depois do show, ele encontra secretários de Cultura da Europa.Apóiam a participação do Brasil na feira o Sebrae, osministérios das Relações Exteriores, da Indústria e Comércio e oda Cultura, a Petrobras e a Embraer. O estande brasileiro terárepresentadas cerca de 40 gravadoras independentes e abrigaráexposições de fotos de Zig Koch e Mario Luiz Thompson.A seleção dos brasileiros foi feita, a pedido de CostaNetto, por um conselho integrado pelo empresário e produtor dediscos André Midani, por Bruno Bolay e por Sérgio Ajzemberg,dono da produtora Divina Comédia.Nos anos 60 e 70, a participação brasileira privilegiavao elenco das grandes multinacionais do disco (com as fusões daúltima década os nomes mudaram, mas são cinco empresas: BMG,Universal, Sony, WEA e EMI) e as grandes gravadoras nacionais,como a Copacabana e a Continental (ambas fecharam as portas ouvenderam seu elenco e acervo para as grandes multinacionais, nosanos 90).Gilberto Gil esteve duas vezes no Midem. Apresentaram-selá, até os anos 70, entre muitos, Elis Regina, Roberto Menescal,Hermeto Paschoal, Beth Carvalho. Esses shows tinham comoobjetivo mostrar os artistas brasileiros para as gravadorasinternacionais. Como as multinacionais têm hoje representação empraticamente todos os países, a feira deixou de ser interessantepara elas. Se pretendem, por exemplo, lançar o compositor Leninena Europa, recorrem à representante da gravadora lá.Por isso, o Midem entrou em decadência, nos anos 80. Mas, nos anos 90, um novo fenômeno internacional revitalizou afeira: a crescente produção fonográfica independente, ou seja,não ligada às cinco majors. São firmas que não têm representaçãointernacional - ou a tem em poucos lugares.Da edição 2003 da feira participam as associações egravadoras Eldorado, Dabliú, Jam Music, Levine Film & Music,Spin Music, Lua Discos, MCD World Music, Nikita Music, OuverEntertainment, Rob Digital, ST2 Music, Tratore Distribuidora,Visom Digital e HR Records."O Midem é onde se pode furar o bloqueio das majors,que comandam o mercado de discos", diz Costa Netto. "Asmultinacionais, no mundo inteiro, dão, hoje, menos atenção àqualidade artística do que às finanças; querem vender, nãoimporta o que", avalia. Com isso, a produção de qualidade ficasob responsabilidade das gravadoras independentes. Com aparticipação no Midem, os artistas ganham projeção mundial. Podesignificar que a boa MPB volte a ser conhecida.

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