Brasileiros decepcionam no Grammy Latino

Não foi desta vez que a música brasileira ganhou o devido destaque no mercado internacional. Quase dois meses depois do previsto, a Academia Latina de Artes e Ciências Discográficas divulgou os vencedores da segunda edição do Grammy Latino - uma premiação que acabou prejudicada pelos atentados terroristas de 11 de setembro, data em que a festa aconteceria em Los Angeles. Antes disso, o evento havia sido transferido às pressas de Miami, por conta de protestos da comunidade cubana. Gilberto Gil, principal concorrente brasileiro, não ganhou as estatuetas de gravação e música do ano, que ficaram para o espanhol Alejandro Sanz, atual sensação do mercado latino. Depois de semanas de discussão, a academia resolveu anunciar os vencedores em uma entrevista coletiva discreta em Los Angeles na manhã de hoje - alegando que não poderia remarcar um evento de tamanhas proporções. Os principais prejudicados foram Caetano Veloso (que deveria se apresentar no show) e Bebel Gilberto, indicada nas categorias de revelação e melhor álbum, por seu elogiado Tanto Tempo. Ambos estavam na cidade para o Grammy Latino quando os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono aconteceram. Os prêmios podem ter certa repercussão na imprensa especializada, mas a exposição que os vencedores teriam com a transmissão televisiva do evento nos Estados Unidos não vai existir este ano.Nas categorias brasileiras, os grandes nomes da MPB lideraram os prêmios. Marisa Monte ficou com o de melhor álbum pop contemporâneo, por Memórias, Crônicas e Declarações de Amor; Rita Lee ficou com o de melhor álbum de rock, por 3001; Caetano Veloso ganhou reconhecimento por Noites do Norte, considerado o melhor disco de MPB; Gilberto Gil teve reconhecimento duplo (melhor álbum de música regional, por As Canções de Eu, Tu, Eles, e melhor canção brasileira, por Esperando na Janela, composta pelo sanfoneiro Targino Gondim, presente no mesmo disco). Zeca Pagodinho levou a estatueta de melhor disco de samba (Água da Minha Sede) e Pena Branca ficou com a de melhor disco de música sertaneja (Semente Caipira).Enquanto os artistas brasileiros saem com a vantagem de ter seis categorias dedicadas apenas ao país (os concorrentes dos países de língua latina aparecem misturados), é muito improvável que um trabalho do Brasil consiga vencer um grande nome do mercado internacional. Assim, She Bangs, de Ricky Martin, venceu os Paralamas do Sucesso na categoria de melhor videoclipe e Juanes tirou o prêmio de Bebel Gilberto na categoria de revelação. Alejandro Sanz, que derrotou Gilberto Gil, ficou com os principais prêmios do evento: gravação, canção e álbum do ano, por El Alma Al Aire.Para os brasileiros, as outras categorias têm pouco interesse, já que boa parte dos artistas não são conhecidos no país. Dificilmente prêmios como melhor álbum tropical tradicional (Siempre Viviré, de Célia Cruz), melhor álbum rancheiro (Yo No Fui, de Pedro Fernández) ou melhor álbum de flamenco (Ciudad de las Ideas, de Vicente Amigo) também serviriam para impulsionar vendas destes artistas nas atuais circunstâncias do mercado fonográfico brasileiro. Talvez nomes mais jovens, como os colombianos do Aterciopelados, conhecidos do público da MTV, possam capitalizar um pouco mais (eles ficaram com a estatueta de melhor álbum de rock de um grupo, por Gozo Poderoso).

Agencia Estado,

30 de outubro de 2001 | 18h14

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