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Brasileiro transforma 'O Sétimo Selo' em ópera

Adaptação do filme de Ingmar Bergman feita pelo compositor John MacDowell estreia em NY nesta quinta, 10

Thiago Mattos e Danielle Villela, ESPECIAL PARA O ESTADO

10 de novembro de 2016 | 05h00

NOVA YORK - O cultuado filme O Sétimo Selo vira ópera pelas mãos de um brasileiro. A adaptação musical da obra-prima do cineasta sueco Ingmar Bergman estreia nesta quinta-feira, 10, pela International Brazilian Opera Company (Iboc), sob o comando de João MacDowell, responsável pela composição e direção artística da ópera.

Em duas únicas apresentações, O Sétimo Selo – Ópera canta o primeiro ato do filme e mostra o retorno das Cruzadas do cavaleiro Antonius Block (Nelson Ebo, tenor) e sua disputa com a Morte (Olga Bakali, soprano) em um jogo de xadrez. A apresentação para orquestra de câmara conta com sete cantores solistas e um coro de 16 vozes, além de cinco instrumentistas, sob regência do maestro brasileiro Néviton Barros. Também já faz parte das comemorações do centenário do cineasta sueco, em 2018 – quando será apresentada a ópera com o texto do filme completo em três atos.

O Sétimo Selo é o texto mais importante dos últimos 100 anos para os suecos. É o grande filme operístico da obra de Bergman, uma história arquetípica com personagens maiores que a vida”, afirma MacDowell, que fez residências artísticas em Bergman Estate, na ilha de Fårö, onde o cineasta viveu de 1967 até sua morte, em 2007.

“Tive acesso aos manuscritos e textos que Bergman escreveu, pude trabalhar na mesa onde ele trabalhava. Quando propus escrever uma ópera baseada em um de seus filmes em 2014, a Fundação Bergman escolheu O Sétimo Selo”, diz o compositor que estreia sua quinta ópera em Nova York, onde já apresentou trabalhos como Tamanduá – Uma Ópera Brasileira e Flores de Plástico.

O diretor executivo da Fundação Bergman, Jan Holmberg, tem altas expectativas com o resultado final do trabalho de MacDowell. “É absolutamente fantástico que o filme mais famoso de Bergman seja agora transformado em ópera. Essa adaptação tem uma importância tremenda”, afirma também Holmberg, destacando que esta não é a primeira vez que um roteiro do cineasta sueco é musicado. “Já existem óperas em alemão e inglês do filme Persona e a Ópera Nacional Finlandesa vai apresentar em setembro de 2017 a ópera Sonata de Outono. Também há uma produção anglo-americana da ópera Fanny e Alexander em andamento.”

Na ópera O Sétimo Selo, MacDowell opta por manter todo o texto cantado em sueco arcaico, conforme o original de Bergman, e vê na manutenção do idioma uma reverência ao cineasta. Para a empreitada, o compositor contou com a colaboração do dramaturgo Bengt Gomér e da atriz Sophie Sorensen, ambos suecos, para ajudar os solistas de diferentes nacionalidades com o idioma. “O sueco é muito dominado pelas consoantes e tem sons difíceis de reproduzir”, diz ainda Sophie. “Mais do que com a pronúncia em si, precisávamos encontrar um equilíbrio que permitisse que os solistas cantassem e interpretassem com naturalidade.”

Embora a música ganhe profundidade com a orquestra e as vozes, a dimensão dramática da ópera ainda está sendo desenvolvida e a encenação dos cantores acontece de forma discreta nas primeiras apresentações.

Para contar a história do cavaleiro medieval em seu embate com a Morte, MacDowell arranja sua ópera a partir do famoso canto gregoriano Dies Irae – hino já utilizado por compositores como Mozart e Verdi – e incorpora uma linguagem musical harmônica, que mistura o tradicional e o contemporâneo. Os arranjos para a ópera foram elaborados para uma orquestra sinfônica completa, mas as apresentações do primeiro ato em Nova York trazem uma versão reduzida para piano, violino, violoncelo, trompete e percussão, em que o compositor insere elementos da música brasileira, como pandeiro, chocalho e pau de chuva.

A apresentação de O Sétimo Selo – Ópera ocorre na Scandinavia House e é precedida de uma conversa aberta com os músicos sobre a dramaturgia de Bergman. Ao longo do jubileu dos 100 anos de Ingmar Bergman em 2018, João MacDowell quer levar o espetáculo para outros lugares. “Seria muito importante levar para o Brasil porque é uma missão da International Brazilian Opera Company criar oportunidades de colaboração internacional para artistas brasileiros”, acrescenta.

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