Brasil pode marcar o fim das megaexposições em NY

Esta pode ser a última grande exposição do Guggenheim por um bom tempo. É a conclusão do New York Times a respeito da mostra Brazil: Body and Soul (Brasil: de Corpo e Alma), inaugurada no último dia 18 no museu de Nova York. Depois dos ataques terroristas à cidade, em setembro, o jornal lembra que exposições deste porte estão ameaçadas, pois dependem da visitação maciça dos turistas.A exposição foi montada por iniciativa da empresa BrasilConnects com parte das obras que integraram a Mostra do Redescobrimento. Para o NYT, a mostra pode funcionar como pressão para que o Brasil sedie uma nova filial do polêmico museu.Com exceção do altar-mor do Mosteiro de São Bento de Olinda, principal peça da exposição em Nova York, as demais obras já passaram por cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. O altar-mor ainda não foi inteiramente montado. Por problemas com a justiça brasileira, as peças embarcaram para Nova York com atraso e por isso apenas parte do altar está à mostra, enquanto funcionários terminam o serviço em meio aos visitantes do museu. Leia mais sobre a polêmica nos links abaixo.A crítica do jornal repete considerações feitas à concepção dos espaços e instalações que foram montadas para as apresentações no Brasil. Com riquíssimo material do período Barroco, o arquiteto francês Jean Nouvel optou por pintar parte do museu de preto e apagar a maioria das luzes. A apresentação das obras indígenas em caixas de vidro descontextualiza as obras, segundo o jornal, mas, ainda assim, são interessantes de ver. As carrancas, ex-votos, esculturas de Aleijadinho, Tarsila do Amaral, Oiticica, Ernesto Neto, são alguns pontos altos da mostra indicados pelo jornal.A exposição, segundo o NYT, não pretende ser uma mostra compreensiva da arte brasileira. É mais um glorioso conjunto de obras concentrados no período Barroco e na arte moderna. Condensa a história do brasil e contextualiza as influências artisticas de 500 anos de história em quatro linhas: "Portugal colonizou o Brasil, depois trouxe escravos da África. Os holandeses também vieram. Europeus, indígenas e africanos misturaram-se. Esta mistura, diversificada, produziu uma vivacidade incrível. Corpo, espetáculo, erotismo casado à espirituaidade, e excesso: estes clichês da cultura brasileira estão presentes na mostra."Brazil: Body and Soul - Guggenheim, 5th Avenida, 1071. Tel: (00--1212) 423-3500. Até 27 de janeiro.

Agencia Estado,

26 de outubro de 2001 | 18h30

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