Brasil entra em campo no Chivas

Esta noite, o Brasil entra em campona terceira noite do Chivas Jazz Festival. O pianista FredHersch, romântico manipulador de standards e um inovadorharmônico comparado a Bill Evans, encontra-se com uma nova divabrasileira, Luciana Souza. Hersch, que é portador do vírus HIV e militante dascausas homossexuais, tornou-se um dos mais celebrados performersdo jazz americano, em noites lotadas no Village Vanguard, na 7.ªAvenida, clube sexagenário da noite nova-iorquina. "Já cantei na casa dele, mas é a primeira vez quedividimos o palco", diz Luciana Souza, que ganhourecentemente a atenção da crítica americana com o discoBrazilian Duos. Hersch, por sua vez, tem íntimo trânsito na MPB.Ele gravou com Leny Andrade e é amigo de Jaques Morelenbaum. Mas o festival mostra também uma outra visão do Brasil.Trata-se do quarteto de David Liebman, que tem basicamente orepertório de The Unknown Jobim ("O Desconhecido Jobim"). Sábado, a noite é de Dewey Redman, uma estrela erráticado jazz. O saxofonista, pai de Joshua Redman, tem um repertóriode aforismos bem especial para tratar de certos assuntos. "Umavez um escritor perguntou a Picasso o que determinada pinturadele significava", costuma contar. E Picasso respondeu: "Se eusoubesse eu seria um escritor." Redman chega com um quarteto, com baixo, bateria epiano. Quando tem de responder sobre os músicos que oinfluenciaram, desfila um rol irrepreensível: "SonnyClarke, John Coltrane, Stanley Turrentine, Charlie Parker, RedConnor." Seus conselhos para os iniciantes também são incisivos."Siga seus sonhos, estude, adquira conhecimentos não só sobremúsica, mas sobre toda a vida. Pergunte sobre tudo. JohnColtrane uma vez me disse: pratique!", ele aconselha. As estrelas coadjuvantes da noite são a pianista belgaNathalie Loriers e o trompetista italiano Paolo Fresu (quetambém toca outros metais). Paolo Fresu é obviamente obcecado pelo maior nome dotrompete, o americano Miles Davis, em seu período mais vigoroso,os anos 50. Fresu tem feito discos com releituras degrandes clássicos, como Round Midnight (em Live inMontpellier, de 1988) e Little Willie Lips (emMetamorfosi, de 1998). Já a pianista e compositora Nathalie Loriers mantém umdiálogo corrente com alguns dos jazzistas expatriados, como osaxofonista Lee Konitz, um dos grandes de Chicago. Sessõespercussivas e um desenvolvimento de estilo que flerta tanto como clássico quanto com o popular são marcas do seu trabalho.Serviço - Chivas Jazz Festival. Sexta e sábado, a partirdas 21 horas. De R$ 35,00 a R$ 65,00. Directv Music Hall.Avenida dos Jamaris, 213, tel. 5643-2500. Ingressos à venda naLivraria Saraiva (Shopping Eldorado e MorumbiShopping), Fnac dePinheiros, Lojas Riachuelo ou pelo tel. 6846-6000 (em todosestes pontos será cobrado o valor do ingresso + taxa deconveniência). A aquisição de ingressos para estudantes seráfeita apenas no local do show.

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