Bossa Nova revive nos Estados Unidos

Na edição do jornal New York Times do último domingo, o crítico Ben Hatliff mostrou que a bossa nova tem vida longa entre os norte-americanos. O assunto do texto é o disco Tanto Tempo, de Bebel Gilberto, recém lançado no Brasil. Nos EUA, o debute da filha de João Gilberto e Miúcha foi no início do ano. A gravadora que a lançou é a Six Degrees Records. De lá para cá, a cantora, que mudou-se para Nova York em 1991 (atualmente vive em Londres), já vendeu cerca de 130 mil cópias. Esse fato fez Hatliff escrever, logo no primeiro parágrafo: "É o disco brasileiro mais vendido nos Estados Unidos hoje, e talvez desde o tempo das gravações de Sérgio Mendes, nos anos 60". O sucesso do álbum da filha de João Gilberto e Miúcha pode ser medido pela execução de So Nice (Summer Samba) nas rádios de smooth jazz norte-americanas. Pelo menos é o que atesta Hatliff. A música, que também faz parte da trilha sonora da novela Laços de Família, é uma das mais tocadas na KKSF, de São Francisco, Califórnia e de outras nove rádios em território norte-americano. Para Hatliff o renascimento da Bossa Nova no mercado de seu país tem bons motivos. Um é a própria relevância do gênero, que sempre será lembrado como um dos principais da música popular desse século. O outro é a simpatia do crítico com a inclusão de elementos eletrônicos na tão inovadora batida do violão de João Gilberto. Foi a fusão das sofisticadas harmonias de Jobim com os experimentalismos eletrônicos introduzidos pelo produtor Suba o motivo da reaproximação entre a bossa nova e a juventude norte-americana.

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